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O caldo está entornado na Colômbia e só um rumor não foi desmentido: o vai-não vai de Carlos Queiroz

Diz-se que o treinador português está de saída da seleção colombiana após as derrotas com o Uruguai (3-0) e o Equador (6-1), que terão provocado - e vindo no seguimento - de alegadas tricas no balneário entre jogadores e contra um alegado favoritismo dado a James Rodríguez. Ele já veio desmenti-las, apesar de confirmar que o ambiente "está afetado", mas a Federação de Futebol da Colômbia garante que, durante os 12 dias de concentração, houve "cordialidade, companheirismo e amizade"

Diogo Pombo

RODRIGO BUENDIA/Getty

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James é nome de Bond e também de Rodríguez, que assim tem o primeiro nome pronunciado à castelhana por ser colombiano e quem gosta de futebol sabe-o, pois está em causa um canhoto por demais talentoso, que pensa e executa o que lhe vem à cabeça como poucos; pelo jeito que tem, é figura central na seleção da Colômbia. Estando em forma e a ser consistente pelo clube, sê-lo-ia sempre. Agora também é o capitão da equipa e é, em parte, com ele que os rumores dizem haver problemas.

Um jornalista da rádio colombiana "RCN" desbobinou alguns supostos episódios ocorridos na seleção após a derrota custosa (3-0) com o Uruguai e a surpreendente e humilhante (6-1) com o Equador, separadas por quatro dias, tempo insuficiente para curar qualquer ferida de derrota.

Disse Francisco Vélez que "alguns jogadores" da seleção estavam desagradados com um alegada tratamento especial que o selecionador dá a James Rodríguez, o líder da braçadeira a quem não cobrará tanto quanto o faz aos demais. "Há um grupo muito grande de jogadores que dizem não entender o treinador e, ainda por cima, estão bravos com o favoritismo", ouviu-se no relato da suposta discórdia. Chegou até a sugerir que houve futebolistas que por um fio não desataram à pancada.

O selecionador no meio disto tudo é Carlos Queiroz.

O alegado descontentamento concentrado na sua pessoa pode ter-se devido, também, à decisão de colocar David Ospina a capitanear a equipa no jogo contra o Uruguai, algo que a imprensa colombiana destacou.

Na goleada humilhante sofrida frente ao Equador a braçadeira já ficou com James Rodríguez, a quem o treinador português, avançou igualmente o "El Espectador", não corrige ou cobra tanto quanto o faz a outros jogadores. E pelas derrotas e pelo suposto mau ambiente gerado, o "Record" português noticiou, na quinta-feira, que Queiroz estará de saída com 2 milhões de dólares de indemnização.

Rodrigo Buendia-Pool/Getty Images

A Federação de Futebol da Colômbia ainda nada disse sobre Carlos Queiroz, mas "informou", esta sexta-feira, que "não são certas todas as versões que asseguram que houve confrontos e agressões entre jogadores durante os dias de concentração" para os encontros frente ao Uruguai e Equador. A entidade quis ser "enfática" e, em comunicado, reforçou que durante esses 12 dias, "como sempre", houve um "ambiente de cordialidade, companheirismo e amizade" entre "todos os membros da seleção".

São seis parágrafos e em todos se desmente qualquer clima bélico, lê-se que ali sempre houve "uma família" na qual "reina a união e o bom trato", problemas há em nenhures e o que sim, houve, foi "um forte golpe anímico" que "nunca gerou diferenças" entre os jogadores - "pelo contrário", garante a federação, "esta situação ainda os uniu mais e estreitou os laços de amizade que sempre existiram".

A federação reforçou que a seleção "seguirá como uma família", só não escreveu uma palavra sobre o selecionador.

James Rodríguez antecipou-se à entidade e, na quinta-feira, desvendou o seu comunicado para "DESMENTIR" assim mesmo, com letras grandes, "todo o tipo de suposta informação alusiva a maus tratos, agressões, disputas ou toda a controvérsia suscitada entre jogadores" e que o menciona "como protagonista".

Explicou o jogador do Everton que as ocorrências no campo "não prosperaram para lá do que representa o jogo", que é como quem diz, o que passou no relvado ficou no relvado e mantém "excelentes e respeitosas relações com todos os companheiros da seleção". Garantiu que os jogadores "estão unidos" e pediu que "não caiam na desinformação e nas calúnias" de cujos autores "só pretendem fomentar discórdia e caos para afetar o [seu] nome".

Mas, quiçá alinhado com o teor da comunicação da federação, o canhoto reconheceu que "a harmonia e o ambiente do balneário se encontra afetado no [lado] anímico". E em linha com a entidade também se manteve noutro aspeto - nada mencionar em relação a Carlos Queiroz. Os únicos rumores que até agora vivalma desmentiu são os que falam do treinador português.