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Futebol internacional

Finalmente, Griezmann: “O Messi conhece-me. Não falo com o meu ex-agente desde o dia em que não foi ao meu casamento. Estou lixado com ele”

Em entrevista ao "Universo Valdano", de Jorge Valdano, o jogador francês abriu enfim o jogo sobre as críticas do antigo agente e do seu tio a Messi e ao Barcelona. Griezmann diz que essas opiniões não o vinculam e garante que o argentino sabe bem o que representa para ele. E diz que precisa de ajuda de toda a gente, porque o que esperam dele - "fintar cinco jogadores e marcar" - não é o que ele pode dar

GABRIEL BOUYS

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A entrevista a Valdano arranca assim: "Não falo desde que cheguei, desde a minha apresentação no Barcelona. Só quis falar dentro de campo, com a bola nos pés, sou assim. Mas agora chegou a altura de dizer basta, porque já ando a ouvir comentários há muito tempo." E estes são os temas principais que ele quer ver esclarecidos:

A chegada à Catalunha

"É possível que haja histórias de vestuário, entre os adeptos e jornalistas, sobre minha chegada ao Barcelona. Falei com o Leo Messi quando cheguei e ele disse-me que, da primeira vez que eu tinha recusado o Barcelona, ficou sentido comigo, pois fizera comentários públicos sobre mim. Mas depois não interessa: eu sinto que ele está comigo até à morte, em cada jogo, sou colega de equipa dele."

A pressão

"Eu ouço as críticas, e também é verdade que o que estão a ver não é o melhor Griezmann. Preciso de ajuda de toda a gente. Quando perdemos, pum: sou logo visado. E como eu não falo, e como a minha gente não fala, sou um alvo fácil. Em ano e meio já tive três treinadores no Barcelona e vim de um clube [Atlético de Madrid] com um estilo que é o contrário deste. E também houve uma pandemia pelo meio, estive quase cinco meses em jogar. É difícil, preciso de tempo para me adaptar e nestas circunstâncias preciso de mais tempo ainda para me adaptar a um novo clube, novos companheiros, três treinadores e sistemas diferentes".

120 milhões

"Isso é com o clube. Se pagaram, foi porque acreditaram em mim. Agora, eu posso ajudar, mas não como as pessoas esperam, que é fintar cinco jogadores e marcar golo. Ajudo trabalhando."

Valverde, treinador I

"Pedia-me para jogar à esquerda e procurar o espaço com o Jordi Alba. Tinha uma boa relação com ele, deu-me a oportunidade de vir para aqui. Com ele sempre fui titular, agradeço-lhe por isso."

Setién, treinador II

"Aprendi a sair com a bola com Quique Setién. A minha relação com ele foi normal. Os meus pais às vezes diziam-me para lhe perguntar porque é que eu não jogava e eu dizia-lhes: 'Se não lhe pergunto nada quando me põe a titular, também não o vou fazer quando sou suplente'. Um dia ele chamou-me e queria falar comigo para me dar explicações; eu fui-lhe dizendo que não era preciso ter essa conversa, ele insistiu e questionou-me: 'até quando é que vais andar chateado?'. Falei em trabalho, disse que não ia arranjar problemas com ninguém."

As declarações do antigo agente

"Já não tenho qualquer relação com ele. O Erik foi uma pessoa que me ajudou, mas já não falo com ele desde que me casei. Convidei-o para a mesa dos noivos, porque ele era obviamente importante para mim, mas não apareceu e estou lixado com ele desde então. Não tenho qualquer relação com ele. Mas como eu não falo, a minha irmã - que é a minha representante - não fala e a minha família também não, a quem é que vão ligar? A ele. E ele opina como qualquer outro e isso pode criar dúvidas no balneário e na relação com o Leo Messi. Mas o Messi sabe a relação que tenho com ele, sabe que é um exemplo para mim. E depois, a questão com o meu tio... ele não sabe o que é o futebol. Aparece um jornalista, fala contigo e o que ele quer sacar-te informação. Disse ao Messi que não tinha nada a ver com isso: que não falo com o meu antigo representante e que nem tenho o WhatsApp do meu tio."