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Futebol internacional

O brilho cadente de Andrés Iniesta

Um dos melhores médios da história foi jogar para o Japão há dois anos, está na curva descendente da carreira e esta terça-feira soube-se da notícia que nenhum futebolista quer: o espanhol foi operado a uma rotura muscular e deverá ficar quatro meses em recuperação. Iniesta tem 36 anos

Diogo Pombo

Masashi Hara/Getty

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Começa por ser uma questão de geografia, os meridianos e as longitudes vêm ao barulho e esse ruído é quase irrelevante em nós, europeus e felizardos por ser na Europa que está o centro do futebol de clubes. Quando um craque, um meio craque ou um futebolista com laivos de craque se evade de um dos países onde a bola é mais vista e tida em consideração pela qualidade de quem a chuta, passa a ser ruidoso, mas com um ruído que é apenas momentâneo.

Porque fica, quase sempre, no momento em que acontece. Quando o jogador em questão anuncia que vai para nações de outros continentes, para uma China, uma Austrália, uma Coreia do Sul, uns EUA ou um Japão e pronto, é mais um excelso a ir para longe e a preferir a calma, o dinheiro, a fasquia competitiva posta mais abaixo ou a vontade em viver outras culturas em vez continuar a satisfazer o egoísmo perdoável de quem aprecia que o futebol seja jogado pelos melhores no seu fuso horário.

Há dois anos, a estrela cadente que já era Andrés Iniesta decidiu ir para o Vissel Kobe, no Japão. Hoje é o capitão da equipa, até calça chuteiras de marca nipónica, está mais calvo e parece ter dado as boas-vindas a mais uns quilos de peso que nunca ameaçara ter enquanto fez a carreira no Barcelona e na seleção de Espanha.

Eurasia Sport Images

Um dos melhores meio-campistas da história tem 36 anos, continua a jogar e à Europa e aos europeus, em plena hora de almoço ou em pleno horário de expediente quando Iniesta entra em campo, foram chegando pedaços compartimentados para o YouTube e as redes sociais do que ele ainda vai fazendo por lá. A sua estrela brilhou tanto no auge que esse brilho fura, de vez em quando, as barreiras das diferenças horárias. Como as más notícias deste tipo, como o são para qualquer futebolista.

André Iniesta lesionou-se contra o Shangai SIPG de Vítor Pereira, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões Asiática, julgava estar recuperado e entrou em campo frente o Suwon Bluewings, na eliminatória seguinte. Agravou o problema, fez uma rotura muscular na perna direita à qual se agarrou e soltou um esgar de dor para depois surgir a tal notícia: rompeu o reto femoral do quadricípite direito (músculo na coxa), foi operado em Barcelona e deverá ficar quatro meses de fora.

Esse tempo pode ser bastante para quem tem 36 anos e há razões para não haver mais Zlatans e Cristianos, existe o Ibrahimovic e o Ronaldo a quem a genética e o cuidado que parecem dedicar ao corpo que são exemplos raros (e sortudos) no futebol. Por isso e de certo que por outros motivos continuam em clubes de topo na Europa e não foram para longe como Andrés Iniesta, que estava entre os 20 nomeados para melhor médio ofensivo da história pela revista "France Football".

Iniesta voltou à geografia que o fez, partilhou-se com o mundo deitado numa cama de hospital e assegurou querer "volta o mais rápido possível para desfrutar do que mais gosta". O seu brilho que ainda brilha merece-o.