Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Futebol internacional

Gattuso está doente: “Li que estava morto, que me resta um mês de vida, mas estou vivo. Quando morrer, será no campo, onde sempre vivi”

O antigo médio, agora treinador do Nápoles, sofre de miastenia e apareceu no último jogo com uma pala a cobrir-lhe o olho direito. “Vejo a dobrar”

Tribuna Expresso

Paolo Bruno

Partilhar

O jogo era em Nápoles e o Napoli empatou com o Torino, no limite, com um golo de Insigne já bem dentro dos descontos (1-1), deixando a formação do sul de Itália no 5.º lugar da Serie A, a nove pontos do líder AC Milan, embora com menos uma jornada disputada.

A história do encontro, todavia, estava no banco de suplentes do clube local, onde o treinador Gennaro Gattuso esteve sentado e de pé, com uma pala no olho direito. É que Gattuso sofre de miastenia, uma doença autoimune que tem implicações nos músculos e nos nervos e que lhe foi diagnosticada há anos. De quando em vez, o quadro clínico complica-se para depois estabilizar, mas, no limite, a miastenia pode provocar a morte; o último episódio da doença, garante Gattuso, “foi forte”, que contrariou os conselhos médicos e foi a jogo.

“Quero dizer aos mais jovens que não se veem bonitos em frente ao espelho, que a vida é bela e há que enfrentá-la, nunca se esconder”, disse Gennaro Gattuso à televisão italiana, no final do jogo. “Sei que os meus jogadores sofrem ao ver-me assim. Já li que estava morto, que me resta um mês de vida, mas calma: não estou morto, estou vivo. Esta é a terceira vez que a miastenia me afeta e agora foi forte”

O treinador italiano, conhecido sobretudo pela intensidade com que jogava num super AC Mlian, mantém a frieza e uma uma certeza. “Vejo a dobrar, é difícil manter-me de pé e só um maluco como eu pode consegui-lo. Mas faço o que gosto, esta é a minha vida e se puder decidir como morrer, quero fazê-lo que seja onde passei toda a minha existência, que é no campo”.