Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Futebol internacional

Boxing day: a festa dos emigrantes portugueses reunidos num campo por um determinado superagente

José Mourinho e Nuno Espírito Santo têm encontro marcado este domingo, no jogo mais português da Premier League, a disputar entre o Tottenham e o Wolverhampton (19h15)

Lídia Paralta Gomes

James Baylis - AMA

Partilhar

Não estivéssemos em plena pandemia, com um Natal com uma mesa obrigatoriamente mais pequena, e todos os portugueses que estarão em campo ou nos bancos do Wolverhampton - Tottenham, um dos destaques do icónico Boxing Day da Premier League, poderiam fazer uma enorme festa de Natal de emigrantes de sucesso este domingo, a partir das 19h15.

A jogar em casa, como anfitrião da festa, estará o Wolverhampton, equipa quase tão portuguesa quanto um prato de bacalhau com todos, com Nuno Espírito Santo ao leme e Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Neves, Vitinha, João Moutinho, Fábio Silva, Daniel Podence e Pedro Neto prontos a entrar em campo. Do lado do Tottenham, a presença nacional está concentrada na casa das máquinas. José Mourinho é o líder da equipa técnica, onde estão ainda Ricardo Formosinho, João Sacramento e Nuno Santos. Gedson Fernandes é o português do plantel, mas não tem sido opção nos Spurs.

O Wolves tem sido uma das equipas mais consistentes da Premier League desde o regresso ao escalão principal do futebol inglês e não é incomum ser uma dor de cabeça para os grandes da liga. Já esta temporada, a equipa de Nuno Espírito Santo bateu o Arsenal e o Chelsea, mas o duelo com o Tottenham acontece num momento menos positivo, com três derrotas nas últimas quatro jornadas, a última das quais frente ao Burnley, encontro que viu Fábio Silva estrear-se a marcar pelos Wolves.

A equipa tem sido também fustigada por algumas lesões importantes - Raúl Jimenez, o avançado titular de NES, continua a recuperar depois de uma grave lesão na cabeça, que obrigou mesmo o mexicano a passar pela mesa de operações. Por outro lado, Pedro Neto e Daniel Podence começam a assumir mais peso no ataque, depois da saída de Diogo Jota.

Antes treinador e jogador, Mourinho e NES são agora colegas e rivais

Antes treinador e jogador, Mourinho e NES são agora colegas e rivais

Mike Egerton - EMPICS/Getty

Ainda assim, e apesar das contrariedades, o Wolverhampton está num tranquilo 11.º lugar na tabela, com 20 pontos. A pressão, essa, está muito mais do lado de José Mourinho.

Mourinho sob pressão

O estilo poderia não ser o mais vistoso, o futebol poderia não ser de deixar alguém de boca aberta, mas o arranque de temporada de José Mourinho no Tottenham impressionou pelos resultados. Os Spurs até começaram a liga com uma derrota, mas de setembro até dezembro nunca mais souberam o que era perder na Premier League.

Até 16 de dezembro.

No duelo de estilos com Jurgen Klopp, a estratégia do treinador português, sempre alicerçada na relação quase telepática entre Harry Kane e Son, implodiu, o Liverpool ganhou e o Tottenham perdeu a surpreendente liderança da Premier League. A situação pioraria quatro dias depois, com nova derrota, a segunda consecutiva, agora com o Leicester.

De repente, numa questão de horas, o Tottenham passava de líder do campeonato para 6.º na tabela.

Ver Mourinho perder três jogos consecutivos não é exatamente a mais comum das estatísticas e o Tottenham também há muito não sabe o que isso é. E aqui entra outro português: a última vez que os Spurs tiveram três derrotas consecutivas na Premier League foi em novembro de 2012. O treinador era André Villas-Boas.

Mas se se repetir o resultado do último confronto entre Wolverhampton e Tottenham, Mourinho vai mesmo igualar o registo pouco simpático de Villas-Boas: em março, pouco antes da paragem dos campeonatos com o irromper da pandemia, Nuno Espírito Santo bateu Mourinho, o seu antigo treinador no FC Porto, em Londres por 3-2.

Um denominador comum

Entre todos os portugueses que estarão este domingo no estádio Molineux, há algo que os une: Jorge Mendes. O empresário português tem uma longa ligação a José Mourinho e levou também Carlos Vinícius do Benfica para o clube de Londres.

Os Wolves ganharam o último confronto, em março

Os Wolves ganharam o último confronto, em março

James Baylis - AMA/Getty

Já com o Wolverhampton a ligação é quase umbilical. Para lá das questões de propriedade, Jorge Mendes representa, através da Gestifute, a esmagadora maioria dos jogadores portugueses do plantel, além do próprio Nuno Espirito Santo, num projeto que começou quando o Wolves ainda estava no Championship.

Apenas Fábio Silva não tem Jorge Mendes como empresário, pelo menos formalmente. O jogador é representado por Carlos Oliveira, da STV (Soccer Talent Vision), que também pertence ao seu pai, Jorge Silva, mas a transferência do jovem avançado do FC Porto para Inglaterra foi intermediada pela Gestifute.