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“Olha que é a sexta substituição, hã? Tens a certeza?”: como um erro estúpido pode precipitar a saída de Paulo Fonseca da AS Roma

Lorenzo Pellegrini avisou o team manager Gianluca Gombar de que a troca era ilegal, perante o olhar incrédulo de Fonseca. A AS Roma fez entrar um sexto homem, o momento viralizou, o treinador português pediu desculpa, mas os dirigentes do clube não gostaram. Os romanos só não perderam na secretaria, porque foram derrotados em campo pelo Spezia, para a Taça de Itália

Pedro Candeias

Paolo Bruno

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Às tantas, Lorenzo Pellegrini diz para o banco: “Olha que é a sexta substituição, hã? Tens a certeza?”. O vídeo expôs a AS Roma ao ridículo e viralizou por si, dispensado o contexto que já era bastante apelativo para a internet: a equipa da capital foi eliminada nos 16 avos de final da Taça de Itália pelo modesto Spezia (2-4), após prolongamento, deixando o português Paulo Fonseca com a sua posição fragilizada. Mais ainda do que o ar incrédulo com que olhou para Pellegrini enquanto este avisava a navegação que a troca de jogadores que ia ocorrer era ilegal - mas que acabou por suceder. A Roma fez entrar Karsdorp, Ibañez, Dzeko, Veretout, Pérez e Fuzato e só não passou pela vergonha de perder o encontro na secretaria, porque a derrota aconteceu dentro de campo.

Só que, segundo a Gazzetta dello Sport, não foi o desaire competitivo a deixar a família Friekin - dona do clube - em sobressalto. Mais do que perder, o que é imperdoável é o aparente desleixo e falta de profissionalismo que leva uma equipa de futebol a perder-se nas contas das substituições. “O ridículo é inaceitável”, escreve o jornal italiano.

E aqui reentra em cena Gianluca Gombar, team manager da formação italiana, o homem a quem Pellegrini pergunta se a sexta substituição é mesmo para ir em frente. Porque Gombar já esteve no centro de uma outra polémica - a utilização irregular de Diawara - que resultou numa derrota na secretaria.

O jornal italiano refere que, após o encontro, os Friedkin reuniram-se com Tiago Pinto, o novo diretor-geral que chegou do Benfica, para decidirem o que fazer. Perante a contestação e as críticas à equipa técnica, o dirigente português terá querido confirmar publicamente a continuidade do compatriota Paulo Fonseca e os patrões da Roma terão aceitado a sugestão, por razões políticas, desportivas, mas também financeiras: o emblema romano tem uma dívida de 395 milhões de euros que continua a crescer e, de momento, não será sensato entrar em rescisões de contratos.

Mas - e há sempre um mas - a Gazzetta dello Sport sublinha que o destino de Fonseca está traçado se a AS Roma voltar a perder no próximo sábado - curiosamente, contra o mesmo Spezia, para a Serie A - e lança nomes sólidos para assumir o comando: Massimiliano Allegri, que não treina desde que deixou a Juventus; Maurizio Sarri, despedido pela mesma Juventus depois de Allegri; e Luciano Spalletti, que já liderou a AS Roma em duas ocasiões, de 2005 a 2009 e em 2016/17.