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Porque é que Rúben Dias fala tanto? “Digo coisas simples para que grandes coisas não aconteçam”. Chamam-lhe “rochedo”

Em entrevista ao "Daily Mail", de Inglaterra, o central português diz que apesar de o papel dos defesas terem evoluído, eles estão ali sobretudo para impedir que a equipa sofra golos. E o que Rúben Dias quer é impedir sequer que o adversário faça, sequer, "um remate à baliza"

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O "Daily Mail" chama-lhe rochedo. Porque é sólido, granítico e porque faz aquilo que um defesa tem de fazer: em primeiro lugar, defender; em segundo lugar, defender. "meu foco foi sempre ser cada vez melhor e fazer mais, mas nunca esqueci de que, em primeiro lugar, sou um defesa. Se não for eu, quem se orgulha de defender? Dá-me prazer deixar a outra equipa impotente", diz Rúben Dias ao jornal inglês.

Numa entrevista ao jornal inglês, o central português do Manchester City prossegue a descrição do seu ofício: "O que me dá mais prazer não é não sofrer golos. É a outra equipa não fazer, sequer, um remate à baliza. Aquilo que me dá mais prazer é que o meu guarda-redes não faça uma defesa. Sou um defesa. Estou aqui para defender".

Dias, amplamente elogiado pelo treinador Pep Guardiola, adaptou-se rapidamente ao ritmo e exigência do futebol inglês. O segredo, diz ele, é "nunca perder o foco" e saber que os "elogios" desaparecem de um dia para o outro - basta um, dois maus jogos. "A confiança é conquistada. Portanto, começas a constuir a confiança, do ponto de vista de defensivo, à medida que não vais sofrendo golos. Se não sofres golos, estás mais próximo de ganhar o jogo. É isso que fortalece a equipa".

Outro dos pontos abordados nesta conversa com o "Daily Mail" foi a liderança. Havendo muitos relatos a propósito do português assumir esse papel - uma característica facilmente identificável pelas constantes chamadas de atenção e pelo estilo vocal durante dos jogos - Rúben Dias garante que exerce a liderança para se mostrar, mas porque sente que tem de o fazer.

"Nunca quis mostrar que sou líder por saber que me estão a ver. Sempre falei por necessidade, porque não quero sofrer golos. Muitas vezes, as pessoas fazem más interpretações sobre mim. Mas, depois de me conhecerem, reconhecem que eu falo só para me mostrar. Acho que, depois de me conhecerem melhor, percebem a minha mentalidade, o meu foco. A maior parte das vezes, comunico coisas simples que impedem que aconteçam grandes coisas."

Posto isto, pergunta-lhe o jornalista, está no caminho para ser capitão do City? "Você é que está a dizer isso, não eu".