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O City - Tottenham foi uma master class de Guardiola a Mourinho

O Manchester City, de Bernardo Silva, João Cancelo e Rúben Dias, fez parecer as coisas demasiados fáceis para si e perigosamente complicadas para os adversários. Perante o Tottenham, de José Mourinho, ficou 3-0. Um resultado robusto que, ainda assim, não diz tudo sobre o que aconteceu no jogo

Pedro Candeias

Victoria Haydn

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Atentem nisto: no minuto 66' do Manchester City - Tottenham, Ederson fez um passe extraordinário para uma desmarcação de Gundogan que deu um encosto a Davinson Sánchez que logo se atrapalhou que a seguir perdeu a posição e que depois cedeu à gravidade quando o alemão o fintou – o colombiano foi de cara ao chão e mal viu o golo de Gudongan, o seu segundo no jogo, o terceiro dos citizens.

Foi mesmo assim que aconteceu, a foto em baixo não me deixa mentir, o desamparo de Lloris também não.

SHAUN BOTTERILL

Para trás, tinham ficado o penálti convertido por Rodri (23') e o outro golo de Gundongan (50'), depois de uma jogada notável dentro da área. Achei que merecia uma descrição: Raheem Sterling fintou meio mundo da direita para a esquerda, encontrou um beco, deu a bola a Foden que a passou a Gundongan e este novamente a Sterling; Foden desmarcou-se, arrastou um defesa pelo caminho e Sterling assistiu delicadamente Gundongan que entretanto correu para a baliza de Lloris.

Assim resumidos os três golos que o City marcou ao Tottenham, debrucemo-nos no título do artigo, a tal master class de Pep Guardiola a José Mourinho. Antes de mais, ao escrever isto talvez esteja ser injusto para Mourinho, porque ele não é realmente o único a sentir-se incapaz perante a equipa do catalão; o mais adequado é então titular a master class de Guardiola à Premier League, porque é exatamente isto que se passa em Inglaterra.

Completada a sua mais recente metamorfose, o génio criativo de Pep Guardiola produziu uma nova forma de jogar futebol, que equilibra o ataque e a defesa, pondo um lateral no meio-campo e outro a central, dois médios por dentro e nenhum goleador à frente. É um 4x3x3 que é ao mesmo tempo um 3x4x3 e que está a arrasar a concorrência, como devem ler aqui.

Ora, isto torna frustrantemente difícil o trabalho dos adversários, obrigados uma vez mais a readaptarem-se à última invenção de Guardiola. Sem saberem muito bem quem marcar - porque, bem, o ideal era marcar toda a gente porque parece que toda a gente sabe marcar - e baralhados pelas constantes mudanças de ritmo, de posição e, acima disto, de função, a única solução é correr e correr e contra-atacar.

Bom, na prática esta é a especialidade de Mourinho, que em alguns encontros tem sido particularmente eficaz, com Kane e Son a funcionarem como Batman e Robin, ou parecido. Mas, contra o City de Guardiola, isso simplesmente não funcionou e o Tottenham foi amplamente dominado durante quase 90 minutos - houve um remate à barra de Kane, num livre, e uma vã tentativa de Bale. Retirando estes dois exemplos, o embate teve um só contendor em condições de o conquistar: o City, que torna as coisas demasiado fáceis para si e perigosamente complicadas para quem defronta.

  • 4-2-3-1, 4-3-3, 3-4-3: a que joga o City de Guardiola? Simplesmente, ao ataque
    Análise

    Depois de um início de época atribulado, em 4-2-3-1, Pep Guardiola foi buscar às origens do 4-3-3 o antigo Manchester City, ainda que com retoques na fórmula, como o sucesso do novo médio João Cancelo. O resultado foi uma equipa mais criativa, que conseguiu esta semana a maior sequência de jogos consecutivos a ganhar na história do futebol inglês: 15 vitórias. Um texto para perceber os caminhos de Pep