Ex-presidente do Barcelona detido pela polícia catalã
A notícia foi avançada pelos meios de comunicação espanhóis e surgem na sequência de buscas efetuadas ao clube. Além de Josep Maria Bartomeu, também foram detidos Óscar Grau, CEO do clube, um assessor presidencial e o diretor dos serviços jurídicos. As detenções realizaram-se no âmbito da investigação Barçagate, sobre uma alegada campanha de difamação contra jogadores e candidatos presidenciais
01.03.2021 às 11h24
Juan Medina
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Josep Maria Bartomeu foi detido na manhã desta segunda-feira pela polícia catalã, no seguimento de buscas nas instalações do Barcelona relacionados com o caso Barçagate - uma alegada campanha de difamação contra jogadores do clubes e candidatos presidenciais, feita por uma consultora externa contratada pelo antigo presidente do Barcelona.
Além de Bartomeu, que cessou funções a 28 de outubro passado, os meios de comunicação espanhóis, entre os quais o "El País", noticiam que também foram detidos Jaume Masferrer, assessor do ex-presidente, Óscar Grau, CEO do Barcelona e Román Gómez Punti, homem forte dos serviços jurídicos, ambos nas instalações do clube.
O caso remonta a fevereiro de 2020, quando uma investigação da "Cadena Ser" reportou que Josep Maria Bartomeu contratara a I3 Ventures, uma empresa de consultoria externa, para melhorar as suas perceção e imagem públicas.
A empresa, contudo, tinha ligações a várias contas de redes sociais que publicavam e partilhavam mensagens contra jogadores do Barcelona, candidatos à presidência do clube ou opositores vocais de Bartomeu.
Escreve o "El Mundo" que a divisão de investigação criminal e de delitos económicos da polícia catalã (Mossos d'Esquadra) entrou nas instalações do Barcelona para averiguar se houve corrupção nos negócios do clube e "falsidades" no último relatório e contas da direção anterior, pedida à PriceWaterhouseCoopers (PWC).
Um clube em ebulição
Essa direção demitiu-se em bloco em outubro passado, pouco depois de 20.731 sócios do Barcelona - número superior aos 16.521 necessários (ou 15% dos votantes nas eleições mais recentes) - assinarem uma moção de censura que ficou conhecida como "Més que una moción", em consonância com o lema do clube: "Més que un club" ("Mais que um clube").
Por essa altura, a reputação e imagem públicas de Josep Maria Bartomeu estavam ainda mais desgastadas com a intenção de abandonar o clube confessada por Lionel Messi, no verão.
O argentino, capitão do clube e melhor jogador e marcador do Barcelona acabaria por ficar, mas o episódio vincou ainda mais a fenda existente entre Messi e a direção do clube, alvo maior dos adeptos devido à gestão desportiva em épocas recentes. O atropelamento humilhante dos 2-8, imposto pelo Bayern de Munique, em nada ajudou.
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