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Diakhaby ouviu um alegado insulto racista no Cádiz-Valência, saiu de campo e a equipa acompanhou-o. Mas, depois, o jogo continuou

Mouctar Diakhaby abandonou o campo durante a primeira parte, alegando que Juan Cala, do Cádiz, lhe dirigiu um insulto racista. Os restantes jogadores do Valência também sairiam de campo, mas regressariam para evitar uma derrota por falta de comparência. "O Diakhaby disse-nos para voltarmos e lutarmos", revelou, no final, o capitão dos valencianistas

Diogo Pombo

ROMAN RIOS/Lusa

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"A equipa reuniu-se e decidiu voltar ao campo, para lutar por este emblema, embora se mantenha firme na condenação de qualquer ato de racismo, em todas as suas formas.”

Ainda o Cádiz-Valência não terminara e os Twitter dos visitantes escreveu esta mensagem, publicou-a e assinalou-a, com o garrafal possível da dita rede social, com um reforço: "NÃO AO RACISMO". O jogo estava a acontecer, mas sem um jogador em campo, Mouctar Diakhaby.

Ele é francês, tem a pele negra e este domingo, durante a primeira parte do Cádiz-Valência, pegou-se com Juan Cala, espanhol e branco de pele. Houve uma espécie de escaramuça, uma discussão acesa que fez Diakhaby abandonar o relvado por, alegadamente, Cala lhe ter dirigido palavras racistas.

Primeiro, os restantes jogadores do Valência também saíram de campo, acompanhando o francês. Os futebolistas do Cádiz fizeram o mesmo. Depois, todos regressariam salvo Diakhaby, que minutos volvidos estava a assistir ao jogo na bancada do estádio Ramón Carranza.

No imediato e sem oportunidade de serem ouvidas explicações, a alegada vítima de racismo, portanto, era a única pessoa prejudicada em termos práticos. Ao intervalo, Juan Cala também seria substituído e o Valência escreveu outra mensagem nas redes sociais: "O jogador, que recebeu um insulto racista, pediu aos seus companheiros para regressarem ao campo e lutarem".

ROMAN RIOS/Lusa

No final, consumada a derrota (1-2) do Valência, o capitão Juan Gayá explicou na flash-interview o retorno da equipa ao campo: "O Diakhaby disse-nos que o Cala lhe disse um insulto racista. Voltámos ao campo porque eles nos podiam tirar os três pontos e o nosso companheiro autorizou-nos a sair. Caso contrário, não o teríamos feito. O Diakhaby está magoado, não vou dizer aqui o insulto".

Gayá não disse, também, quem são os "eles".

Juan Cala negou ter proferido qualquer insulto racista quando chegou ao balneário, ao intervalo, e foi questionado sobre o episódio, noticiou a rádio "Cadena Cope".

Ainda a partida não tinha acabado e o diário "As", citando o seu analista de arbitragem, Iturralde González, informava que, de acordo com os regulamentos da La Liga, a partida só pode ser suspensa devido a insultos racistas caso o árbitro, de facto, os ouça.

Nos últimos quatro meses, este é o terceiro episódio com semelhantes moldes mediáticos a acontecer no futebol europeu: em março, num jogo da Liga Europa, Glen Kamara, do Glasgow Rangers, queixou-se de ter sido alvo de um insulto racista de Ondrej Kudela, do Slavia de Praga; em dezembro, Pierre Webó, adjunto do Istambul Basaksehir, acusou o árbitro romeno Sebastian Coltescu de lhe dirigir palavras racistas durante o encontro com o Paris Saint-Germain, da Liga dos Campeões.