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Futebol internacional

Insulto racista? Juan Cala diz que não, Diakhaby volta a dizer que sim

“Em Cádiz, no domingo, há uma jogada em que um jogador me insulta e as suas palavras são ‘preto de m...’. Isso é intolerável e não posso consentir", disse Mouctar Diakhaby, mas Juan Cala nega ter insultado o adversário

Lusa

ROMAN RIOS/Lusa

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O futebolista espanhol do Cádiz Juan Cala negou hoje ter chamado “preto de m...” a Mouctar Diakhaby, insulto racista que o defesa central francês do Valência reitera ter sido alvo no jogo de domingo entre os dois clubes.

Cala garantiu que nunca utilizou a expressão que lhe é atribuída dirigida a Diakhaby e considerou que está a ser vítima de um “linchamento dos media”, pelo que anunciou, em conferência de imprensa, que irá tomar medidas legais.

Versão diferente tem Diakhaby, que reafirmou ter sido insultado por Cala no jogo de domingo, em Cádis, o que levou mesmo a equipa do Valência a abandonar o relvado durante cerca de 20 minutos.

“Em Cádiz, no domingo, há uma jogada em que um jogador me insulta e as suas palavras são ‘preto de m...’. Isso é intolerável e não posso consentir. Todos vocês viram a minha reação. Isso não pode acontecer na vida normal, nem no futebol, que é um desporto de respeito”, referiu Diakhaby, nas redes sociais.

O defesa francês adiantou ainda que, depois da equipa do Valência ter abandonado o jogo, um jogador do Cádiz lhes perguntou se regressavam ao relvado se Cala pedisse desculpa.

“Dissemos que não, que as coisas não são assim, que não se pode fazer algo e se desculpar e continuar tudo na mesma”, refere ainda Diakhaby, considerando que o insulto o magoou muito.

A aguardar esclarecimentos da Liga espanhola

O jogador francês espera que a Liga espanhola esclareça a situação e agradeceu a solidariedade demonstrada pelos colegas e treinadores, bem como o apoio dos adeptos do seu clube, no qual alinham os portugueses Thierry Correia, Ferro e Gonçalo Guedes.

O Valência também já reagiu à conferência de imprensa de hoje, “lamentando profundamente as declarações” de Cala, considerando que o jogador do Cádiz “perdeu uma grande oportunidade de assumir o seu erro e pedir desculpa”.

“Após as ameaças de Juan Cala, o clube, o seu presidente, Anil Murthy, e o jogador Mouctar Diakhaby mantêm intacta a profunda convicção de lutar até onde for preciso pelo bem do futebol. O Valência não parará de lutar contra o racismo no futebol e na sociedade”, refere o clube.

O incidente ocorreu ao minuto 29 do encontro no Estádio Ramón Carranza, quando, na sequência de um livre a favor do Cádiz, Cala e Diakhaby trocaram argumentos dentro da área valenciana, levando, posteriormente, o central francês a percorrer meio-campo para interpelar o adversário.

Depois de os jogadores das duas equipas terem separado Cala e Diakhaby, o francês foi admoestado com um cartão amarelo e esteve alguns segundos a explicar ao árbitro o que tinha acontecido, antes de se retirar de campo, acompanhado por todos os jogadores ‘che’, entre os quais Thierry Correia e Gonçalo Guedes.

O encontro foi reatado após um interregno de cerca de 20 minutos, durante o qual o Valência alega que o árbitro David Medié Jiménez deu conta aos seus jogadores das implicações que um abandono acarretaria, mas a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) veio já hoje negar essa versão.