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Futebol internacional

No Tottenham - Manchester United, houve uma cambalhota, um salto de peixe e um bailado. Mourinho não gostou

O Manchester United deu a volta a um golo anulado, a um golo sofrido, num belo jogo de Cavani e de Pogba, dois dos jogadores que a crítica sinaliza por exibições mortiças. O Tottenham de Mourinho soma três derrotas (uma delas na Liga Europa; duas na Premier League) nos últimos cinco jogos

Pedro Candeias

Pool

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No jogo da primeira volta, algo aconteceu: o Tottenham abateu o United por 6-1 em Manchester, acentuando um péssimo arranque da equipa de Solskjaer na Premier League. Na altura, em outubro, o United tinha três pontos em três jogos e estava uma posição acima da zona de despromoção; o Tottenham encontrava-se exatamente no lugar onde ainda hoje está (6.º), mas a oito pontos dos red devils que entretanto se assumiram como candidatos a vice-campeão nacional, título entregue informalmente ao City, de Guardiola.

Ainda sobre o jogo de outubro: Martial foi expulso (28’) na altura em que o Tottenham já dera a volta ao resultado (1-2); depois disso, instalou-se o caos defensivo e o United implodiu. Como aquela foi a segunda derrota mais pesada para o United - e, por sua vez, uma vitória histórica para o Tottenham - o reencontro de abril teria forçosamente de reportar a outubro.

Felizmente para Solskjaer, os raios não costumam cair duas vezes no mesmo lugar - nem quando Lindelöf deixa o raio da bola passar pelo pé esquerdo num corte deficiente e a deixa seguir para Lucas que a passa a Son para este chutar para o golo. O lance aconteceu instantes depois de o árbitro ter consultado o VAR para anular o tento de Cavani, numa jogada em que foi preciso premir o rewind alguns segundos para ver uma mão de Son na cara de Scott McTominay.

Foi ao minuto 40. Antes, nada de verdadeiramente extraordinário tinha acontecido, pois Tottenham e Manchester United raramente se conseguiram desenvencilhar um do outro para chutar sequer à baliza. Não foi uma primeira-parte fraca, porque com atletas deste género a qualidade está sempre presente, mas aborrecida, um adjetivo que facilmente se cola a este Tottenham e a este United.

A segunda-parte foi bem diferente, sobretudo por culpa do United que entrou com outra disposição para apertar o Tottenham de Mourinho. Primeiro por McTominay (Lloris defendeu); e depois por Cavani, que não bateu o guarda-redes francês, mas a jogada prosseguiu e Fred fez a recarga triunfal (1-1) que prenunciava a reviravolta. Contabilizaram-se, antes, duas chances desperdiçadas por Pogba - uma delas, porque quis dar de calcanhar - e apareceu finalmente o cabeceamento-salto-de-peixe de Cavani, num lance em que Bruno Fernandes fez um túnel e pôs a bola para o cruzamento de Greenwood.

A cambalhota no marcador justificava-se, mas havia ainda que esperar pela reação final do Tottenham. Que aconteceu, ainda que de forma pouco ortodoxa: num canto, Pogba aliviou precisamente para a cabeça de Cavani que cortou certeiramente para o poste; tivesse entrado, teria sido um espetacular autogolo a dois tempos.

E este era o tempo em que os corpos e os cérebros começavam a ceder ao cansaço, e os buracos no meio-campo permitiam jogadas de um lado e do outro. Enter Pogba, que tentou congelar o jogo com aquele estilo indolente, a pisar a bola e a ensaiar fintas, levando-a para terrenos inférteis.

O francês - tal como Fred e o inevitável Bruno Fernandes - fez uma exibição competente, séria e comprometida; quando isso acontece, ainda é dos melhores que jogam esta modalidade. Basta ver o bailado diante de Reguilón e o encosto em Dier para a assistência do golo Greenwood.