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Futebol internacional

“Nunca vi uma pessoa mentir tantas vezes e fui advogado criminal durante 24 anos”: líder da UEFA atira-se a presidente da Juventus

Aleksander Ceferin reforçou que qualquer jogador que participe na Superliga estará barrado de jogar pela sua seleção e atirou-se de forma veemente a Andrea Agnelli, líder da Juventus. "Falei com ele no sábado à tarde e ele disse que eram apenas rumores, para eu não me preocupar", revelou

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Harold Cunningham - UEFA

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Aleksander Ceferin sente-se apunhalado pelas costas. O presidente da UEFA atirou-se fortemente aos doze clubes que unilateralmente anunciaram a Superliga, confirmando que qualquer jogador que participe na nova competição está barrado de jogar pela sua seleção.

“Todas as confederações estão de acordo com isto”, disse o líder da UEFA, numa conferência de imprensa em que apresentou o novo formato da Liga dos Campeões, a arrancar em 2024.

Sublinhando que “90% do dinheiro da UEFA regressa ao futebol” e que o organismo não se move apenas por dinheiro, mas sim pelo desenvolvimento da modalidade, o esloveno colocou em oposição o projeto da Superliga, que na sua ótica “é só negócio”.

As maiores críticas de Ceferin foram para o vice-presidente do Manchester United, Ed Woodward, e para o presidente da Juventus, Andrea Agnelli que, de acordo com o presidente da UEFA, estavam na sala onde se aprovou a alteração do quadro competitivo da Champions.

“Já vi muitas coisas na minha vida. Fui advogado criminal durante 24 anos e por isso conheci muitas pessoas, mas nunca pessoas assim”, começou por dizer Ceferin.

“O Ed Woodward [vice-presidente executivo do Man. United] ligou-me na quinta-feira a dizer-me que estava muito satisfeito e que apoiava totalmente as reformas [na Champions League] e que a única coisa de que queria falar era sobre o fair play financeiro. Isto quando, obviamente, já tinha assinado outra coisa”, explicou.

“O Andrea Agnelli é a maior desilusão de todas. Nunca vi uma pessoa a mentir tantas vezes e de forma tão persistente. É inacreditável… Falei com ele no sábado à tarde e ele disse que eram apenas rumores, para eu não me preocupar. Disse-me que me ligava daí a uma hora e depois desligou o telemóvel”, revelou o presidente da UEFA.

“Não sabíamos que tínhamos cobras tão perto, mas agora sabemos”, disse ainda.

Apoio da FIFA

Gianni Infantino, presidente da FIFA, ainda não se manifestou publicamente sobre os acontecimentos do fim de semana, mas Ceferin acredita que o fará já na terça-feira, no congresso do organismo.

“Ele vai ter de falar, porque é o presidente do organismo que regula o futebol a nível global. Ele diz que nos apoia totalmente e que vai condenar de forma veemente este projeto. Quero ouvi-lo amanhã no Congresso”, sublinha Ceferin.

Já sobre a possibilidade das ligas domésticas expulsarem dos seus campeonatos os clubes acordem participar na Superliga, o homem-forte da UEFA garante que é uma decisão que estará nas mãos de cada uma das ligas.

“Isso é uma decisão das ligas. Mas estamos em contacto com eles e tenho a certeza que vão seguir as mesmas sanções, dentro da lei, tal como nós. Ao contrário destes doze clubes, nós vamos sempre trabalhar dentro da lei e das instituições”, disse, frisando também que a Liga dos Campeões vai continuar a existir, com ou sem as equipas da Superliga.

“Pode-se jogar a Liga dos Campeões sem essas equipas. Há muitas boas equipas na Europa. A Champions vai jogar-se, com ou sem eles”, reforçou.