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Futebol internacional

Superliga Europeia. Assim falou o ideólogo Florentino: “Ricos, nós? Não sou dono do Real Madrid. Nós queremos salvar o futebol da ruína”

Em entrevista ao programa "Chiringuito", de Espanha, o presidente do Real Madrid - putativo líder da nova Superliga Europeia - justificou este formato com a quebra de receitas, por causa da pandemia, e com o desinteresse dos jovens e as quedas nas audiências, porque "os jogos não têm qualidade"

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FRANCK FIFE

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As perdas
"Perdemos 400 milhões de euros, no Real Madrid, por causa da pandemia. Quando não se tem rendimentos para além da televisão, a maneira de tornar o futebol rentável é fazer com que os jogos sejam mais atrativos para serem vistos por adeptos de todo o mundo. As audiências estão a baixar, estamos todos arruinados, o futebol e a televisão têm de mudar. Foi assim que começámos a trabalhar. Chegámos à conclusão de que fazendo uma Superliga durante a semana, em vez da Liga dos Campeões, seríamos capazes de recuperar as receitas perdidas. O Real Madrid tinha um orçamento de 800 milhões e acabámos por ficar pelos 700. E este ano, em vez de 900, vamos ver se conseguimos arranjar 600"

Evolução
"O futebol tem que evoluir, tal como as empresas, as pessoas e as mentalidades. As redes sociais mudaram a forma como nos comportamos e o futebol tem que mudar adaptar-se aos tempos em que vivemos. O futebol estava a perder o interesse e isso vê-se pelo público, que está a diminuir, tal como os direitos de transmissão. As pessoas mais jovens já não se interessam por futebol, e porquê? Porque há muitos jogos de má qualidade, eles não se interessam, têm outras plataformas para se distrair. Sempre que há uma mudança há alguém que se opõe. Que joguemos entre os grandes, a competitividade, que sejam gerados mais recursos. Os ricos? Eu? Eu não sou dono do Real Madrid, somos um clube de futebol e fazemos isso para salvar o futebol, que é um momento crítico".

Para quando?
"Vamos falar com a UEFA e a FIFA, não percebo por que têm de ficar irritados. A UEFA trabalhou em outro formato que, em primeiro lugar, não entendi. E depois não dá os rendimentos necessários para salvar o futebol. Quando digo «salvar o futebol», é para salvar todos.

As ameaças
"Estão a ameaçar os jogadores, mas eles podem estar tranquilos porque essas ameaças não se vão concretizar. Mas quem dirige os monopólios, neste caso a UEFA, tem que ser transparente. Eles apresentaram um formato para a Liga dos Campeões que ninguém entende e dizem que vão começar em 2024, mas em 2024 já estaremos mortos: há clubes que perderam centenas de milhões. Eu sei quanto ganha Lebron James, mas não sei quanto ganha o presidente da UEFA: há-que ser transparente. Os monopólios acabaram e todos nós dizemos que o futebol está prestes a ser arruinado. Eles não nos vão expulsar da Liga dos Campeões, estou completamente seguro. Nem da liga espanhola."

A nova Champions
"Se continuarmos com a Champions, o interesse é cada vez menor e acaba. E o novo formato, que começa em 2024, é um absurdo".

O insulto
"O presidente da UEFA não pode insultar como insultou Angelli [presidente da Juventus]. Acho que não é digno, a UEFA tem de mudar, não queremos um presidente que insulte e queremos transparência. Todos mudamos e mudamos para melhor. Isto não é é concebível na Europa democrática, estas coisas não devem ser ditas para o bem da sociedade".