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Superliga. Guardiola: "Não é justo quando uma equipa luta e depois não qualifica porque o sucesso está garantido apenas para alguns"

Treinador do Man. City foi questionado sobre a Superliga Europeia e queixou-se de falta de informação por parte dos presidentes, sublinhando que "o desporto deixa de ser desporto quando a relação entre o esforço e a recompensa não existe"

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Depois de Jürgen Klopp, na segunda-feira, esta terça-feira foi a vez de Pep Guardiola ser questionado pelos jornalistas sobre a decisão dos seus clubes avançarem para uma Superliga fechada, numa altura em que Florentino Pérez é o único presidente que já falou publicamente sobre a nova competição.

E tal como o treinador do Liverpool, Guardiola mostrou-se pouco confortável com facto de os técnicos terem neste momento muito pouca informação sobre uma prova para a qual parecem olhar com desconfiança.

“Eu não tenho todas as informações, só uma parte. Porque é que estas equipas foram as escolhidas? Eu não sei a razão. As coisas deveriam ser clarificadas. Porque é que esta equipa joga e porque é que equipas como o Ajax, que tem quatro ou cinco Ligas dos Campeões, não estão”, disse o treinador do Manchester City, em conferência de imprensa de antevisão ao jogo de quarta-feira com o Aston Villa.

Sobre a ideia de jogar uma competição fechada, com várias das equipas com lugar garantido, o treinador espanhol foi claro: “O desporto deixa de ser desporto quando a relação entre o esforço e a recompensa não existe. Não é desporto quando o sucesso já é garantido, quando não importa se perdes. Eu quero que a competição seja o mais forte possível, principalmente a Premier League, e não é justo quando uma equipa luta, luta e luta, chega ao topo e depois não se pode qualificar porque o sucesso está garantido apenas para alguns clubes”.

Guardiola deixou ainda recados para os líderes dos clubes que estão por trás da nova Superliga Europeia. E pediu-lhes que apareçam e falem.

“Nós não somos as pessoas ideais para falar disto, há um presidente que deve dar uma ideia mais clara do que quer para o futuro do futebol. É pouco confortável para nós porque nós não temos toda a informação. Eu gostava que o presidente deste comité fosse por todo o mundo explicar o porquê de terem tomado esta decisão”, disse.

“Eu apoio o meu clube, conheço as pessoas, sou parte deste clube, mas também tenho a minha opinião. Neste momento o que temos é apenas um comunicado, ninguém se chegou à frente para dizer nada. Para todos os treinadores destas seis equipas é desconfortável”, frisou ainda o catalão, que lembrou também que os clubes não são os únicos vilões e que todos os elementos nesta guerra têm os seus interesses.

“Toda a gente tem os seus próprios interesses. A Premier League tem os seus interesses, a UEFA tem os seus interesses. A UEFA também falhou”, sublinhou, recordando que o Manchester City, “mesmo no momento mais difícil da pandemia não despediu nem uma pessoa”.