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Futebol internacional

E depois, já só eram três: Atlético de Madrid, Inter e AC Milan abandonam a Superliga Europeia, que se encontra suspensa

Depois da debandada dos seus clubes ingleses da Premier League, o Atlético de Madrid, o Inter e o AC Milan anunciaram, esta quarta-feira, que também decidiram abandonar o projeto da Superliga Europeia. Dos 12 supostos fundadores, sobram apenas o Real Madrid, o Barcelona e a Juventus

Diogo Pombo

DeFodi Images

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Saindo os ingleses, os seis endinheirados ingleses vindos da Premier League geradora de dinheiro, era previsível que fosse uma questão de tempo até o castelo dos ricos que afinal se fez de cartas leves começar a ruir, aos poucos. Sem Manchester City, Liverpool, Manchester United, Chelsea, Tottenham e Arsenal, o superprojeto ficou assim-assim.

A sextuplicada decisão inglesa de abandonar a Superliga Europeia teve cada clube a emitir a sua mensagem pela noite de terça-feira e de forma curta e sóbria, como que a quererem cobrir-se com o manto da discrição.

O City apenas confirmou que "formalmente" adotara "procedimentos" para sair; o Liverpool atribuiu a decisão a ter ouvido "partes interessadas que são chave"; o United mencionou o que ao rival custou dizer e "ouviu as reações dos [seus] adeptos"; o Chelsea teve "tempo para considerar o tema a fundo" e concluiu que "os planos não eram do melhor interesse do clube, dos adeptos e da comunidade futebolística"; o Tottenham, via o seu presidente, arrependeu-se de a proposta "ter causado tanta ansiedade e stress"; e do Arsenal veio o comunicado que mais se alongou, defendeu que "nunca foi intenção causa tanta aflição", admitiu ter "cometido um erro" e pediu desculpa. Foi o único.

Ficava descartado metade do castelo posto de pé, publicamente, em tardios horários noturnos, com comunicações misteriosas e um plano de relações-públicas aparentemente inexistente. Na manhã desta quarta-feira seguiu-se o efeito dominó.

O Atlético de Madrid anunciou que também decidiu "não formalizar a adesão ao projeto" da Superliga Europeia, explicou que o sim que deu à ideia ocorreu "em circunstâncias que no dia de hoje já não existem" - chegaram a existir na visão de quem manda nestes 12 clubes porque, visto o que se viu até ao momento, nenhum parece ter auscultado os seus adeptos e apalpado um pouco de terreno para averiguar se o projeto cairia no goto deles.

OSCAR DEL POZO/Getty

O clube da capital espanhola, único entre os que abandonaram o projeto, a par do Tottenham, cujos proprietários não são estrangeiros, escreveu que "é essencial a concórdia entre todos os coletivos que integram a família rojiblanca, especialmente os adeptos". Também indicou que "o treinador e o plantel ficaram satisfeitos com a decisão do clube".

E depois apareceu o comunicado do Inter de Milão a informar que "já não faz parte do projeto da Superliga". Maioritariamente detido por Zhang Jindong, um empresário chinês, o clube foi sucinto a expor que está "sempre comprometido a dar aos adeptos a melhor experiência possível", porque "a inovação e a inclusão fazem parte do [seu] ADN".

Acrescentou o clube milanês que "o compromisso" que tem "com as partes interessadas para melhorar a indústria do futebol nunca vai mudar", seja qual for o real significado da afirmação. "O Inter acredita que o futebol, como qualquer setor de atividade, tem de ter interessa em melhorar constantemente as suas competições", indicou, no parágrafo seguinte.

Seguiu-se o AC Milan, rendido "às preocupações de adeptos que foram claramente expressas por todo o mundo", ou melhor, "sensível à voz de quem ama este maravilhoso desporto". O clube, detido pelo Elliot Management Corporation, um fundo de investimento americano, explicou que aderiu inicialmente à Superliga Europeia "com a genuína intenção de entregar a melhor competição possível aos adeptos". Mas, acrescentou ainda, "a mudança nem sempre é fácil".

De entre os 12 fundadores iniciais restam três. O Real Madrid de Florentino Pérez, o anunciado líder do projeto, mais a Juventus de Andrea Agnelli, um dos que se disse mais ter feito para levar a ideia avante, têm sido descritos como a alma da competição que foi proposta; e o Barcelona, que tem uma dívida atual a rondar os €1.2 mil milhões.

(artigo atualizado às 12h32, com o comunicado do AC Milan.)