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Os investidores não querem que os seus milhões dependam de uma bola entrar numa baliza. O mercado não se rege pelo mérito

Daniel Oliveira

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O artigo estava escorreito. Explicava que a Superliga era consequência de um caminho começado em 1992, com a cria­ção de Premier League. Mas, seja pela reação dos adeptos, da UEFA ou de Boris Johnson, é uma notícia adiada. O caminho está traçado e até serve para pressionar a UEFA, responsável pelo caldo onde isto se cozinhou, a continuar a dar privilégios aos clubes mais poderosos. Já o fez, com o novo formato da Champions, para 2024. Mas foi bonito ver os adeptos a resistir à entrada dos seus clubes na liga dos ricos. O clubismo não é alienação, é comunidade. A racionalidade desalmada dos negócios é que aliena as nossas paixões. A Superliga Europeia financiada pela JP Morgan não era super, porque lá havia quem não se apurasse para a Champions desde 2013. E não era europeia, porque só tinha três países. Acedia-se por convite, sem ter de ganhar jogos. E confrontou-nos com uma falácia da moda: a confusão entre mercado e meritocracia. Neste caso, bastaria ter público e dinheiro. Estar numa das três ligas mais vistas e ter investidores. Mesmo que nada disso se traduzisse em resultados desportivos. Bate certo. A meritocracia de que tanto se fala sempre foi comprada pelo privilégio do dinheiro. No futebol não é diferente.