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Futebol internacional

Ceferin fala em clubes "que acreditam que a Terra é plana e que a Superliga ainda existe" e promete punições "para todos"

Em entrevista ao "Daily Mail", o presidente da UEFA diz que os 12 clubes fundadores da Superliga terão consequências, mas fala em diferentes graus de culpa, deixando elogios aos seis clubes britânicos, os primeiros a desistir, e críticas a Real Madrid, Barcelona e Juventus por ainda manterem a ideia de manter viva a competição

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Alexander Hassenstein - UEFA

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Aleksander Ceferin diz que os 12 clubes fundadores da Superliga Europeia terão de ser punidos de alguma maneira, ainda que, entre os revoltosos, encontre diferentes níveis de culpa, colocando os seis clubes ingleses, os primeiros a fazer marcha-atrás, num patamar inferior.

“Para mim é claro que existe uma diferença entre os clubes ingleses e os outros seis. Eles afastaram-se primeiro, admitiram que fizeram um erro. Tens de ter alguma grandiosidade para dizer: ‘Eu estava errado’”, disse o líder da UEFA numa entrevista ao britânico “Daily Mail”.

“Há três grupos nestes 12 - os seis ingleses, que saíram primeiro, os outros três [At. Madrid, AC Milan e Inter] que saíram depois e no fim aqueles que acreditam que a Terra é plana e que a Superliga ainda existe [Real Madrid, Barcelona e Juventus]. E há uma diferença grande entre eles. Toda a gente será responsabilizada. De que maneira, ainda vamos ver”, revelou ainda.

Ceferin diz que as consequências serão analisadas nos próximos dias e que não se pode “fazer de conta que nada aconteceu”.

“Não quero falar de processos disciplinares, mas tem de ser claro que toda a gente será responsabilizada de forma diferente. Mas ainda é cedo para dizer como será”, sublinhou.

Na mesma entrevista, Ceferin mostrou-se aberto a rever o novo formato da Champions, nomeadamente a questão dos dois lugares que estão reservados a equipas com melhor coeficiente que não se tenham qualificado através do campeonato nacional. Diz também querer mais intervenção dos adeptos, a quem agradeceu pela reação de repúdio à criação da Superliga.

“Honestamente, fiquei mesmo impressionado pela reação dos adeptos, de toda a comunidade do futebol, não só do futebol, da própria sociedade. Nunca vi nada assim”, disse o esloveno, que endereçou também agradecimentos ao governo britânico, nomeadamente ao primeiro-ministro Boris Johnson, que rapidamente se colocaram ao lado da UEFA.

“Estavam do lado certo da história e no momento certo. Isso é impressionante”, diz. De acordo com o Daily Mail, esta aproximação de Johnson a Ceferin poderá ter peso na hora do presidente da UEFA escolher qual a candidatura europeia a ser apresentada para o Mundial de 2030. Portugal e Espanha, de forma conjunta, já tornaram há muito oficial essa vontade. Inglaterra e Irlanda, também unidos, deverão avançar para uma candidatura.

“A única coisa que eu já disse que irei insistir é que a UEFA deve ter apenas uma candidatura. Se tivermos duas, isso vai dividir os votos europeus, o que significa que ambas podem perder”, disse Ceferin, que no entanto deixou um agrado aos britânicos, que poderá não augurar nada de bom para a candidatura ibérica: “As vossas infraestruturas e forma de ver o futebol são as certas”.