Os adeptos regressaram a Old Trafford. Mas, por causa deles, não houve futebol
Entre os 500 a 1.000 adeptos que se concentraram diante de Old Trafford, cerca de 200 invadiram o relvado do estádio do Manchester United, horas antes do jogo com o Liverpool que poderia garantir o título ao City, o rival da cidade. Os protestos, alegadamente contra a gestão dos irmãos Glazer, donos do United, e a intenção em aderirem ao projeto da Superliga Europeia, acabou por causa o adiamento do encontro
02.05.2021 às 19h44
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Eram cerca de um milhar, ou pelo menos 500, os relatos variam, certo é que se reuniram em redor do estádio Old Trafford, em Manchester e este domingo, horas antes das 16h30 para as quais estava agendado o United-Liverpool, jogo especial por uns quantos motivos, mas dois em particular.
Ganhando ali, o rival histórico do Manchester United faria com o rival citadino dos mesmos fosse campeão assim, no conforto do lar, fora do campo e sem que os jogadores se equipassem para estarem a pisar um relvado no momento da confirmação da conquista; depois, este era o primeiro clássico do futebol inglês em que o United participava desde as 48 horas estrambólicas da nova, mas que acabaria afinal por não o ser, Superliga Europeia.
Foi este motivo, aparentemente, que levou as tais muitas centenas ou milhar de pessoas às imediações do recinto, em protesto contra os irmãos Glazer, americanos de nacionalidade, que são proprietários do Manchester United desde 2005 e decidiram incluir o clube no lote dos 12 que, há duas semanas, anunciaram ao mundo que iam aderir a esta nova competição europeia, apenas acessível por convite.
Os protestos, ocorridos neste fim de semana do pactuado silêncio em Inglaterra - todos os clubes da Premier League estão em boicote às redes sociais, em campanha contra os abusos, o ódio e os insultos que proliferam em plataformas como o Facebook, o Twitter ou o Instagram - acabariam por resultar na invasão do recinto do Manchester United.
Cerca de 200 pessoas forçaram a entrada no estádio e espalharam-se pelo relvado, escreveu a "BBC", gerando, antes e depois, confrontos com a polícia de Manchester. Dois agentes ficariam feridos. A menos de duas horas do início da partida, o retângulo de relva do United estava apinhado de gente, unida em cânticos de protesto. As comitivas de ambas as equipas nunca chegaram a sair dos hotéis onde se encontravam em estágio.
O protesto duraria cerca de quatro horas. Algumas bolas e bandeirolas de canto foram roubados do campo de Old Trafford e, noticiou o "The Athletic", até uma dezena de pessoas terão conseguido entrar no balneário onde se costumam equipar os jogadores da equipa da casa. Tal terá contribuído, também, para a decisão seguinte - por estes dias, o futebol vive ligado a bolhas sanitárias, testes e limitação de contactos.
Pelas 17h40, mais de uma hora após o suposto início do jogo, a Premier League confirmava o adiamento do Manchester United-Liverpool, sem indicar uma nova data. "É uma decisão coletiva dos clubes, da polícia, da Premier League e das autoridades locais. Compreendemos e respeitamos a força dos sentimentos, mas condenamos todos os atos de violência, crime e trespasse, especialmente tendo em conta as violações associadas do [protocolo da] covid-19", lê-se, no comunicado.
Quem nunca foi consultado acerca de planos, ideias ou intenções ligadas à Superliga Europeia, juntaram essa insatisfação à aversão que alguns setores de adeptos manifestam, há muito, contra a administração de Joel e Malcolm Glazer, os donos do United. Assim os adeptos regressaram a Old Trafford, mas não é assim, com invasões, violências e confrontos, que terão razão.