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O novo treinador do Spartak de Moscovo é português: "Bem-vindo, Sr. Vitória!"

Rui Vitória assinou um contrato válido por dois anos com o Spartak de Moscovo, clube que ganhou mais campeonatos na Rússia. Após sair do Al Nasr, da Arábia Saudita, em dezembro, o treinador português é o escolhido para liderar o clube russo durante a época em que celebrará os 100 anos de existência

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Rui Carlos Pinho da Vitória foi bicampeão nacional em Portugal, até terá sido tri se for tido em conta que começou a época acabada por Bruno Lage, ao todo foram seis títulos conquistados no Benfica e de Lisboa seguiu para Riade, onde teve a experiência seguinte enquanto treinador.

O treinador ficou duas épocas e meia na Arábia Saudita e não orientava uma equipa, em jogo, desde 26 de dezembro do ano passado, tempo que ocupou de quando em vez na televisão, a comentar futebol para o "Canal 11" e à espera da próxima aventura, que agora surgiu.

Rui Vitória é o novo treinador do Spartak de Moscovo, o clube com mais campeonatos (23) conquistados na Rússia. O último aconteceu em 2017 e, na temporada que agora finda, a equipa ficou no 2.º lugar, a oito pontos do Zenit de São Petersburgo, a principal força do futebol russo na década que passou.

O técnico, de 51 anos, assinou um contrato válido por dois anos e vai assumir a primeira equipa do Spartak na temporada em que o clube cumprirá os 100 anos de existência. Algo que, ainda antes de Rui Vitória ser confirmado, já tinha provocado mudanças no Spartak.

Zarema Salikhova era a diretora financeira do clube até sexta-feira, dia em que apresentou a demissão do cargo após criticar a iminente contratação do treinador português com palavras pouco simpáticas, em entrevista ao jornal russo "Sport Express":

Porquê convidar no ano do centenário um treinador que ficou em 15.º lugar com o clube mais rico da Arábia Saudita, oito pontos conquistados em 10 jogos? Rui Vitória deixou o futebol europeu em 2017 [errado, pois apenas saiu do Benfica em 2019], optando por condições económicas confortáveis ​​para si e pela falta de competição. Para mim, os campeonatos árabes são como um cemitério. Eles vão lá apenas por dinheiro para terminar o percurso. Prefiro treinadores ativos da Europa, Itália ou França, que estão acostumados a trabalhar sob stress, que escolhem uma carreira em vez de dinheiro árabe ou chinês. Para o Spartak, no ano do centenário, escolheria um treinador com ambições, que através do Spartak procura entrar na elite do futebol mundial e não coloca a Rússia ao nível da Arábia Saudita

Salikhova é casada com Leonid Fedun, o principal acionista da Lukoil, empresa que detém o Spartak de Moscovo.

Nesta época, o clube teve Domenico Tedesco, de 35 anos, como treinador. A ex-diretora financeira do clube lamentou a saída - por razões familiares - do italiano e contou como terão decorrido os primeiros contactos com dois possíveis sucessores: o espanhol Quique Setién, antigo técnico do Barcelona, e Rui Vitória.

Sobre o português, Zarema Salikhova falou de um encontro presencial ocorrido em abril, depois da derrota (2-0) do Spartak frente ao Lokomotiv, um dos rivais da cidade: "A reunião aconteceu uns dois dias depois. Perguntei-lhe pela opinião sobre a equipa, pelas razões da derrota, pedi para analisar os erros táticos, mas respondeu que não tinha visto o jogo, o que me surpreendeu, porque poderia ter visto pelo menos três jogos durante o voo de Lisboa".