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Futebol internacional

Selvagens x europeus: a final Brasil - Argentina da Copa América esconde uma batalha cultural e política

Além do duelo entre os atacantes Messi e Neymar, o clássico sul-americano tem um histórico secular de racismo, reacendido pelo presidente argentino, Alberto Fernández, que mantém uma disputa pessoal e ideológica com o brasileiro, Jair Bolsonaro. A final da Copa América joga-se na próxima madrugada, à 1h de Lisboa, no Maracanã

Márcio Resende, correspondente na Argentina

Pedro Vilela/Getty

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Há um mês, o presidente argentino, Alberto Fernández, para se mostrar próximo culturalmente do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, exaltou o 'europeísmo' argentino com uma reflexão que recuou 100 anos de história na rivalidade com o Brasil.

"Os mexicanos saíram dos índios. Os brasileiros saíram da selva. Porém, nós, os argentinos, chegámos dos barcos. E eram barcos que vinham de lá, da Europa", afirmou Fernández, atribuindo, erroneamente, a citação ao escritor mexicano Octavio Paz.

Ao afirmar que a origem dos brasileiros é a selva, Alberto Fernández recuou 100 anos de história na rivalidade entre Argentina e Brasil no futebol.

Em 6 de outubro de 1920, quatro anos depois de a Copa América começar ser disputada, o então o jornal argentino "Crítica" retratou como 'macacos' os jogadores brasileiros que participariam de um amigável na Argentina: "Macacos em Buenos Aires" ("Monos en Buenos Aires"), intitulou o jornal com uma caricatura.

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