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Futebol internacional

O futebol com Messi

A saída de Lionel Messi do Barça, que se arruinou com ele, e a ida para o PSG, um de dois clubes possíveis por terem um acionista que injeta dinheiro, mostram para onde o futebol se está a virar

Diogo Pombo e Sofia Miguel Rosa

Lionel Messi usará, no Paris Saint-Germain, o primeiro número com que se estreou no Barcelona, em 2005, quando tinha 18 anos. Hoje tem 34

Albert Gea/REUTERS

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Castelldefels é uma terra suburbana em Barcelona onde brotam casarões e mansões de senhorios endinheirados, que transformaram o lugar em refúgio de quem tem muitas posses. Um deles, de fortuna erguida aos pontapés e toques dados a bolas de futebol, saiu de casa no domingo e conduziu uns 20 minutos até estacionar no estádio de Camp Nou, onde se engravatou, não se esqueceu do guardanapo para limpar as lágrimas vindouras e falou, saindo-lhe o coração das entranhas. “Tive muitas chamadas, há vários interessados. Nada está fechado”, disse, telegráfico no enigma, sem mencionar outro clube que não o seu nos 21 anos contados até esse momento. Mas em Paris, a umas 10 horas de carro dali, alguns contadores algorítmicos já tinham começado a espernear com vida pelos números a dispararem devido a essa pessoa.

Não que tenha sido a confirmação, mas ver a carne e os ossos de Lionel Andrés Messi Cuccittini a chocalharem um choro apontaram indicações subliminares para a capital francesa — sim, ele ia-se mesmo embora, a esperança de tudo ser um bluff morria ainda imberbe. E vê-lo a ser desterrado pelo Barça que “ama”, o clube que engordou tanto a folha salarial ao longo de todos estes anos para o aguentar, ao ponto de a obesidade mórbida da sua dívida e o espartilho das regras financeiras da La Liga espanhola não permitirem que lhe desse mais um contrato, fez um rumor colher mais realidade.