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Futebol internacional

Cristiano Ronaldo não quer saber de frases feitas e regressa ao sítio onde foi feliz

Manchester United confirmou regresso do português ao clube, de onde saiu em 2009. O acordo com a Juventus está finalizado, faltando apenas os exames médicos e os termos pessoais. Um dia de loucos, que começou com Cristiano Ronaldo com um pé no rival Manchester City e que continuou com Massimiliano Allegri a confirmar que Ronaldo não queria mais a Juventus, termina com um regresso do filho pródigo a Old Trafford

Lídia Paralta Gomes

Mike Egerton - EMPICS/Getty

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É possível que ainda nos lembremos de o ver pela primeira vez em Manchester, borbulhas de miúdo, camisola de marca cara com muitas cores, cabelo com umas farripas oxigenadas. Estávamos em agosto de 2003 e Cristiano Ronaldo era um jovem de 18 anos, por cá já sabíamos de muito do que ele era capaz mas lá fora só a 6 de agosto desse ano descobririam, naquela inauguração do novo Estádio de Alvalade que lhe mudou a vida e provocou dores intermináveis nos rins de John O’Shea, o irlandês a quem tinham dado a tarefa de o marcar nesse jogo e que dias depois era seu colega de equipa.

Ronaldo assinou contrato, posou ao lado de Sir Alex Ferguson e a confiança do escocês era tal que o icónico treinador lhe passou logo a pesada camisola 7 para as mãos. E deu-lhe logo minutos contra o Bolton, poucos dias depois de aterrar em Inglaterra: estava tudo empatado quando o português entrou, não ficaria depois disso. Ele dançou em frente aos adversários, trocou-lhes as voltas, brincou com eles. Não marcou, mas provocou logo uma grande penalidade. O United venceria esse jogo, os comentadores ficaram sem palavras para dizer no final, porque Old Trafford nunca tinha visto tal coisa. George Best disse que era "a estreia mais entusiasmante" na qual tinha posto os olhos, coisa pouca para um rapaz vindo de uma ilha no Atlântico.

O United ganhava ali mais que um jogo: ganhava um novo ídolo.

Hoje, aos 36 anos, aquele miúdo ainda não saído da adolescência está de volta ao Manchester United onde foi feliz, desde esse verão de 2003 até 2009, quando foi para o Real Madrid já feito máquina goleadora, para ser então o jogador mais caro do planeta. Pep Guardiola disse esta sexta-feira que Cristiano Ronaldo era um daqueles jogadores, um dos poucos, que podia escolher onde jogar mas, mais do que isso, ele também é um dos poucos que pode desafiar a lógica, que pode enfrentar as superstições: ele pode voltar ao lugar onde foi feliz e fê-lo.

Phil Noble

“O Manchester United está muito feliz por confirmar que o clube chegou a acordo com a Juventus para a transferência de Cristiano Ronaldo”, assim anunciaram os red devils o regresso do filho pródigo, 12 anos depois da partida.

O contrato, sublinha o clube, está ainda dependente “do acerto dos termos pessoais, visto e exames médicos”, algo que não será com certeza impedimento para que uma das maiores histórias deste verão de transferências se confirme definitivamente.

Para já não se conhecem detalhes do acordo com a Juventus, mas o negócio poderá ter sido finalizado por um valor em torno dos 25 milhões de euros e à espera de Ronaldo estará um contrato de dois anos.

"Todos no clube estão ansiosos para dar de novo as boas-vindas a Cristiano a Manchester", diz ainda o comunicado, lançado pouco depois do português chegar a Lisboa e prometer para breve novidades sobre o seu futuro.

No Manchester United, Cristiano Ronaldo marcou 118 golos em 292 jogos, foi campeão da Premier League três vezes e levantou a Liga dos Campeões por uma vez. Foi também ainda no United que foi pela primeira vez considerado o melhor jogador do planeta, em 2008.

Depois seguiram-se passagens pelo Real Madrid e pela Juventus. Pelo meio, mais quatro prémios de melhor do mundo, mais quatro Ligas dos Campeões, dois títulos nacionais em Espanha e dois em Itália. No Manchester United, Ronaldo vai reencontrar Ole Gunnar Solskjær, seu colega de balneário na primeira passagem por Old Trafford. E Bruno Fernandes, o português seu colega na seleção nacional e que nas redes sociais já se assumiu como "agente Bruno", dando a entender - como Solskjær aliás já o tinha dito - que teve o seu papel no regresso de Ronaldo a casa.

ANDREW YATES

Esta sexta-feira começou com Cristiano Ronaldo praticamente confirmado no Manchester City e com Massimiliano Allegri a admitir que o português lhe tinha informado que não queria jogar mais na Juventus. A confirmação de um divórcio que já se assumia depois do português não ter treinado esta sexta-feira.

Ao início da tarde começaram os rumores de que o português afinal iria voltar ao clube que o fez explodir para o futebol mundial. De Inglaterra chegam ecos que um telefonema de Sir Alex Ferguson e de antigos colegas de equipa (Rio Ferdinand admitiu-o) foram essenciais para que Ronaldo esquecesse a hipótese City e seguisse para Old Trafford, onde ainda não se sabe se regressará ao tal 7 que Ferguson lhe meteu nas costas e que agora está no corpo de Edinson Cavani.

E, quase inesperadamente, a era Ronaldo 2.0 no Manchester United está prestes a começar.