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Futebol internacional

A tranquila estreia de Lionel Messi pelo PSG

O argentino não foi titular e entrou aos 66', com Mauricio Pochettino a fazer a desfeita de o trocar por Neymar, evitando o reencontro ou que o trio Messi-Neymar-Mbappé dividisse o relvado por vinte minutos que fossem, numa altura em que a saída do francês é uma forte possibilidade. Com o jogo frente ao Stade de Reims já resolvido (bis de Mbappé), Messi não precisou de fazer magia, apenas de se ambientar aos novos companheiros, numa estreia com pouca fanfarra, mas com o peso histórico que o estádio Auguste-Delaune soube abraçar

Lídia Paralta Gomes

Anthony Dibon/Getty

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Numa liga que não tem nem pouco mais ou menos o peso da liga por onde se passeou nas últimas quase duas décadas, talvez Lionel Messi não pudesse escolher melhor estádio para se estrear pelo PSG.

O Stade Auguste-Delaune é um daqueles decanos do futebol mundial, um recinto com 86 anos de idade que viu o Stade de Reims, a equipa que ali joga, passar por tudo e mais alguma coisa, do poderio nos anos 50, em que chegou a ser vice-campeão europeu por duas vezes e ganhou seis títulos franceses, ao declínio que surgiu à entrada da época de 80, quando o clube um dia grande em França foi por ali abaixo até chegar ao terceiro escalão do futebol gaulês.

Hoje o Stade de Reims é um clube modesto, que luta por continuar entre os grandes, mas ali jogaram Raymond Kopa e Just Fontaine durante boa parte das respetivas carreiras, outras relvas que estiveram ali antes desta viram muitos craques, muitas histórias e agora têm mais uma, a do dia em que Lionel Andrés Messi vestiu pela primeira vez enquanto sénior uma camisola que não a azul e grená do Barcelona.

Messi não foi titular, mas mal o argentino começou a aquecer as bancadas do estádio levantaram-se, ouviu-se o burburinho da curiosidade, de quem sabe que está a ver algo único. Fossem adeptos do Reims ou do PSG, os gritos por Messi ecoavam por todo o lado, isto numa altura em que os parisienses já venciam por 1-0, golo do inevitável Mbappé aos 16’. O miúdo está aparentemente com a cabeça em Madrid mas também e continuamente nas balizas adversárias, estejam elas em que latitude ou país ou cidade.

Messi entraria já na 2.ª parte, aos 66’, e foi já na linha lateral, pronto para a estreia, que viu o jovem francês bisar e a festejar como se quisesse ser do Paris Saint-Germain durante toda a vida, mas isso é algo que vamos saber até terça-feira se é verdade ou não.

FRANCK FIFE/Getty

Já estava então quase resolvida a contenda quando Messi entrou, com Mauricio Pochettino no entanto a fazer a desfeita de o trocar por Neymar, fazendo-nos talvez perder a oportunidade de ver pelo menos por 20 minutos Messi, Neymar e Mbappé a jogarem juntos, com a mesma camisola, na mesma frente de ataque.

Não se pode ter tudo, de facto.

Sem a necessidade de salvar a equipa de agruras, de arrancar aquele ponto que parecia impossível, de marcar aquele golo mágico, a estreia de Messi foi, surpreendentemente ou não, bastante tranquila. Houve duas ou três arrancadas como só ele faz, houve a classe do costume com a bola no pé, mas não mais que isso. A não ser, claro, o pacote de boas-vindas a França servido às pernas do argentino por duas vezes, cortesia do médio Munetsi, como que a avisar Messi que ali nem todos estão para o ver passar, ligeiro e seguro, levitando no verde a tomar a Ligue 1 de assalto.

No final, 2-0 no marcador, PSG de novo na liderança da tabela e curiosamente mais jogadores do Reims a pedir a camisola a Mbappé do que a Messi, talvez por vergonha, talvez por saberem que terão mais oportunidades com o argentino do que com o prodígio francês, caso este salte a fronteira para oeste nos próximos dias. Ou horas, até.