Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Futebol internacional

Insólito: autoridades sanitárias brasileiras interrompem Brasil - Argentina em pleno jogo

Estavam decorridos pouco mais de 5 minutos de jogo quando a Anvisa e a polícia federal entraram campo dentro para interromper o superclássico da América do Sul. Em causa, os quatro jogadores argentinos que ocultaram a informação de que estiveram no Reino Unido nos últimos 14 dias e que as autoridades dizem que têm de ser deportados. O jogo está suspenso e próximas decisões são com a FIFA

Tribuna Expresso

Sebastiao Moreira

Partilhar

Imagens insólitas chegaram do Brasil - Argentina, que deveria ter acontecido este domingo em São Paulo, no Brasil. A Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira, entrou em campo pouco depois dos 5 minutos de jogo acompanhada da polícia federal, obrigando à interrupção do encontro de qualificação para o Mundial de 2022.

Em causa, a participação no jogo de Emiliano Martínez, Giovani Lo Celso, Cristian Romero e Emiliano Buendía (os três primeiros titulares), que a Anvisa havia ordenado que fossem imediatamente colocados em quarentena e depois deportados, por terem alegadamente mentido à entrada do Brasil, não cumprindo as regras sanitárias em vigor no país.

Tudo porque o quarteto de jogadores da Premier League ocultou ter estado no Reino Unido nos últimos 14 dias. O Brasil impede neste momento a entrada de cidadãos vindos do Reino Unido devido à pandemia.

A Anvisa publicou um comunicado duas horas antes do jogo em que sublinhava que os jogadores deveriam ser imediatamente colocados em isolamento, mas de acordo com o diário "Olé", a Conmebol teria entrado em campo, argumentando com o acordo que existe entre todos os países da América do Sul, que flexibiliza os tempos de isolamento precisamente para evitar este tipo de situações, até porque os jogadores viajam em bolha.

NELSON ALMEIDA/Getty

As autoridades estiveram mesmo no hotel onde a Argentina estagiava, mas o quarteto teria tido autorização para jogar. Três dos jogadores foram titulares.

António Barra Torres, diretor da Anvisa, sublinhou à TV Globo que tudo aquilo que o organismo "orientou desde o primeiro momento não foi cumprido" e que por isso foi necessário chegar ao ponto de interromper o jogo. "Esses quatro jogadores deveriam estar isolados para serem deportados", disse ainda o responsável, frisando que os jogadores viajaram para o jogo sem terem autorização para o fazer por parte das autoridades de saúde do Brasil.

Os jogadores argentinos rapidamente saíram do relvado. Apenas Lionel Messi voltou, enquanto capitão, para em conjunto com Lionel Scaloni, selecionador argentino, falar com os membros da Anvisa presentes no relvado. Os jogadores brasileiros mantiveram-se em campo e mais tarde fizeram um pequeno treino.

A única informação oficial foi dada pela Conmebol, que através das redes sociais informou que "por decisão do árbitro" o jogo foi suspenso. "O árbitro e o comissário do jogo vai enviar um relatório à Comissão de Disciplina da FIFA, que determinará os passos a seguir", frisa ainda a Conmebol, lembrando que os encontros de qualificação para o Mundial estão sob égide da FIFA e que por isso terá de ser esta organização a decidir as consequências deste bizarro evento que volta a marcar o futebol sul-americano.

Sebastiao Moreira/EPA

Já o presidente da federação argentina de futebol, Claudio Tapia, em declarações publicadas nas redes sociais da própria AFA, diz que "não se pode falar em mentira" ou em incumprimento da parte dos jogadores argentinos lembrando "a legislação sanitária sob a qual se jogam todos os torneios sul-americanos".

"As autoridades sanitárias de todos os países aprovaram um protocolo que estamos a cumprir na totalidade", diz ainda Tapia, lamentando o que se passou na Arena Corinthians, que diz ser "uma imagem muito má" para o futebol sul-americano. Já o selecionador Lionel Scaloni, também à AFA, diz que "em nenhum momento" os jogadores foram notificados de que não podiam jogar.