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Futebol internacional

Caíram, por fim, as lágrimas que Messi mais desejava

O argentino marcou um hat-trick na vitória (3-0) da sua seleção frente à Bolívia, numa noite marcada pela emoção de Leo nos festejos da Copa América com o público e pela obtenção de novo recorde: ultrapassou Pelé como o melhor marcador da história das seleções sul-americanas

Pedro Barata

Pool/Gety

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A relação de Messi com a seleção argentina habituou-se a ser marcada por lágrimas. No Mundial 2014 e nas Copas Américas de 2015 e 2016, a imagem de Lionel a chorar depois de uma final perdida com a camisola alviceleste tornou-se recorrente e a frustração levou mesmo o capitão a anunciar a sua retirada (que viria a ser temporária) da seleção, depois da terceira final.

Messi foi perseguindo sempre pelo sonho de erguer um troféu com a Argentina, colosso do mundo das seleções que nada ganhava desde 1993. Uma geração de argentinos acostumou-se à desorganização, às tristezas, ao caos federativo e à dança de selecionadores, mas não se habituou a ganhar.

Até que, no passado mês de julho, o jejum terminou.

Novamente liderada por Messi, a Argentina, orientada por um Scaloni sem qualquer experiência anterior como treinador principal, venceu a Copa América no mais doce dos cenários — numa final contra o Brasil, no Maracanã. Mal o encontro acabou, todos os jogadores da seleção (que com Scaloni tem sido um conjunto bem mais gregário e compacto do que noutras alturas) correram a abraçar Messi, que não escondia a emoção.

Depois de tanto sofrer, de tentar e não conseguir, de ser apelidado de "pé-frio" por alguns compatriotas, Leo tinha, finalmente, um título com a seleção principal para juntar aos Jogos Olímpicos, ao Mundial sub-20 e à catrefada de troféus que venceu com o Barcelona.

CARL DE SOUZA/Getty

Ora, dois meses volvidos da conquista, vieram as celebrações com o público.

O duelo da Argentina frente à Bolívia, em partida a contar para a fase de qualificação sul-americana para o Mundial 2022, foi o primeiro da seleção de Scaloni diante do seu público desde a final do Maracanã, no Rio de Janeiro. A Argentina já vencera, entretanto, na Venezuela, por 3-1, e tinha estado em campo escassos minutos frente ao Brasil, num simulacro de jogo que ainda promete fazer correr muita tinta.

Portanto, a partida contra os bolivianos, no mítico Monumental de Buenos Aires, estádio do River Plate, tinha contornos de celebração. E Messi não quis desiludir. Logo ao minuto 14, o diez recebeu um passe de Paredes, fez um túnel a um adversário e, de pé esquerdo, colocou a bola em zona indefensável para o guarda-redes. Na segunda parte, Messi completou a sua exibição ao fazer o 2-0 no minuto 64, após uma sucessão de tabelas com Di María e Lautaro Martínez. A dois minutos do fim, ainda marcou o 3-0.

Pool/Getty

Com este hat-trick, o jogador do PSG chegou aos 79 golos com a Argentina, tornando-se no melhor marcador da história das seleções da América do Sul. Messi passou a ser, também, o jogador com mais golos marcados em fases de qualificação para Mundiais na América do Sul, com 26 tentos.

Depois do triunfo, a seleção de Scaloni presenteou o público do Monumental com a Copa América. E, entre cânticos de vitória, Messi voltou a não conseguir conter as lágrimas. Só que, desta feita, as lágrimas tinham um sabor bem diferente das vertidas noutras ocasiões sobre aquela camisola celeste e branca.

Eram lágrimas de glória, de objetivo alcançado, talvez também de alívio.

"Ganhar a Copa América foi um momento único, por como e onde foi e depois de tanto esperar. Estar hoje aqui a festejar é incrível. A minha mãe e os meus irmãos, que sofreram muito, estão nas bancadas e estou muito feliz." Foi um Messi de voz soluçante que, depois do jogo, expressou o que lhe ia na alma. As lágrimas que lhe escorriam pela cara tinham o sabor pelo qual tanto lutou ao longo da carreira.