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Futebol internacional

De repente, o futebolista mais titulado da história está livre. Daniel Alves não tem clube

O brasileiro, vencedor de 43 troféus coletivos ao longo da sua carreira (o último dos quais a medalha de ouro olímpica com o Brasil), rescindiu contrato com o São Paulo devido a uma dívida de cerca de 2 milhões de euros que o clube tinha consigo. Com 38 anos, Daniel Alves está livre para assinar por qualquer clube

Pedro Barata

Marcelo Endelli/Getty

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A medalha de ouro reluzia na noite japonesa, combinando com um sorriso que, apesar do seu dono estar habituado à glória, demonstrava que aquela não era uma conquista qualquer. O Brasil acabara de se sagrar campeão olímpico de futebol, após bater a Espanha na final, no 43.º título da carreira de Dani Alves. Aos 38 anos, o "louco lindo", como ele próprio se define, voltava a banhar-se nas águas do êxito, mas, no meio de todo aquele carnaval, o jogador tem uma mensagem para passar.

Ao longo das semanas nas quais decorreu o certame japonês, Dani foi sendo acusado pelos adeptos do São Paulo de "abandonar" o clube, isto por ter acedido a disputar o torneio olímpico enquanto a equipa dirigida por Hernán Crespo disputava importantes compromissos no Brasileirão e na Libertadores.

Perante essas acusações, havia chegado a hora de uma resposta.

Alex Livesey - FIFA/Getty

"Não acho que tenha abandonado o São Paulo", disse Dani após o final, de medalha de ouro ao peito, para depois passar ao ataque. "O São Paulo falhou muito comigo", acusou o jogador, explicando que o clube tinha "dívidas" para consigo: "A única coisa que eu queria era realizar o meu sonho de jogar no São Paulo. Assim como eu respeito o São Paulo, peço que o São Paulo me respeite, porque tudo o que eu faço pelo São Paulo não está ao alcance do que o São Paulo faz por mim".

Abria-se ali, no Japão e a milhares de quilómetros da cidade paulista, uma ferida difícil de sarar. A imprensa brasileira revelou, pouco depois, a dimensão da "falta de respeito" de que falara Dani Alves: cerca de 2 milhões de euros, o valor que o clube devia ao jogador.

Quando o veterano aceitou assinar pelo São Paulo, em 2019, o clube, de acordo com o "Globo Esporte", tinha como plano que parte do avultado salário fosse pago por bancos privados, mas essa ideia nunca se concretizou. Já em janeiro, a direção dos paulistas havia admitido estar a dever cerca de 1,5 milhões de euros a Alves.

Após a participação nos Jogos Olímpicos, Dani ainda fez mais quatro partidas pelo São Paulo, mas o desfecho parecia inevitável e agora concretizou-se: jogador e clube acordaram a rescisão de contrato, que foi oficialmente comunicada pelo emblema dirigido por Hernán Crespo. O lateral (que sempre foi muito mais do que um lateral dentro de campo) tinha contrato com o São Paulo até dezembro de 2022.

Com a camisola 10 da formação paulista, da qual confessou ser adepto, Dani disputou 95 encontros ao longo de dois anos, tendo vencido um Campeonato Paulista, mais um dos 43 títulos que fazem dele o jogador da história do futebol que mais vezes saboreou o gosto do sucesso coletivo.

Com 119 internacionalizações pelo Brasil, Alves, de 38 anos e passagens por Sevilha, Barcelona, Juventus ou PSG, não esconde o objetivo de lutar, em 2022, pelo grande título que lhe falta: o Mundial. Resta agora saber com que camisola de clube é que Dani tentará chegar ao Catar.