Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Futebol internacional

FPF, Liga de Clubes, treinadores, árbitros e sindicato de jogadores unem-se: futebol português não quer um Mundial a cada dois anos

A FPF, a Liga de Clubes, o Sindicato dos Jogadores, a Associação Nacional de Treinadores e os árbitros, são contra a ideia da FIFA em passar a organizar o Campeonato do Mundo de dois em dois anos. Em comunicado, as organizações criticam o facto de terem tomado conhecimento da proposta "pela imprensa" e justificam a posição, por exemplo, com a sobrecarga de jogos, o impacto na saúde mental dos jogadores e a sobreposição de provas como alguns dos principais motivos

Diogo Pombo

Fernando Gomes e Pedro Proença, respetivamente, os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga

Gualter Fatia

Partilhar

Tendo a UEFA logo torcido o nariz à ideia e afirmado-se arisca à hipótese de o Mundial passar a ser bienal, seria de esperar que os 55 países que a integram partilhassem essa oposição ao plano já escancarado pela FIFA, que colocou uma grande figura do futebol (Arsène Wenger) a pensá-la, juntou dezenas de grandes ex-jogadores para unanimemente a apoiarem (entre eles, Nuno Gomes) e acelerou uma aferição (a 23 mil pessoas) para, por coincidência, coincidir com a ideia que está a tentar dourar no futebol.

A possibilidade de o Campeonato do Mundo passar a acontecer a cada dois anos, existindo desde 1930 apenas de quatro em quatro — excetuando em 1942 e 48, devido às Grandes Guerras —, tem vindo a constar nas bocas apoiantes de vários antigos futebolistas, quase todos com ligações à FIFA (através do programa FIFA Legends, por exemplo), mas as alergias à ideia continuam a ir causando comichões novas.

A última vem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), da Liga de Clubes, a Associação Nacional de Treinadores, do Sindicato de Jogadores Profissionais, e da Associação Portuguesa de Árbitros, portanto, das entidades mais importantes desta bola no país. Uniram-se para anunciarem que "o futebol português reprova a intenção da FIFA de aumentar a periodicidade da maior prova do Mundo de seleções".

Em comunicado, apontam a "sobrecarga dos calendários", a saúde física e mental dos jogadores, que seriam "obrigados a fazer duas concentrações anuais de várias semanas" nas seleções — os cinco períodos de jogos internacionais passariam a apenas um par, mais duradouro —, o aumento do risco de lesão e a sobreposição dos Mundiais com os Jogos Olímpicos são alguns dos fatores nos quais as entidades convergem para se oporem à ideia FIFA.

As entidades quiseram salientar a "inoportunidade" da proposta, justificando-o por estarmos "num momento em que ainda nem se disputou o primeiro Mundial alargado e com o novo formato de 48 seleções", cuja estreia será, apenas, em 2026, na edição organizada em 16 cidades espalhados por Canadá, EUA e México.