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Futebol internacional

Morreu Jimmy Greaves, um dos melhores avançados britânicos da história

Aos 81 anos, o antigo jogador faleceu em casa. Melhor marcador de sempre do Tottenham e da história da primeira divisão inglesa, fez parte da seleção que venceu o Mundial 1966

Pedro Barata

PA Images/Getty

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Jimmy Greaves, unanimemente considerado um dos melhores avançados da história do futebol britânico, morreu, em sua casa, aos 81 anos de idade. "Estamos extremamente tristes de saber da morte do grande Jimmy Greaves", pode ler-se num comunicado publicado pelo Tottenham, clube do qual o inglês era uma das maiores lendas. A "BBC" fala na perda de "um prodígio e um pioneiro" do futebol.

Ao longo de uma carreira que teve sempre o golo como grande companheiro, Greaves jogou em conjuntos como o Chelsea, o Tottenham, o West Ham ou o AC Milan, em Itália. Foi com a camisola do Chelsea que venceu os seus dois primeiros prémios de melhor marcador da First Division, a antiga primeira divisão inglesa, em 1958/59 e 1960/61. Greaves conquistaria o título de máximo goleador em mais quatro ocasiões com o Tottenham, num total de seis vezes, um recorde que o torna no futebolista que mais venceu se sagrou melhor marcador de uma campanha no principal escalão inglês, considerando quer a First Division quer a Premier League.

Em 1960/61, Greaves apontou 41 tentos só no campeonato pelo Chelsea, sendo, até hoje, o único atleta que marcou mais de 40 golos numa época na liga inglesa desde a Segunda Guerra Mundial. Depois de trocar os blues pelo Milan, Greaves assinou pelo Tottenham em dezembro de 1961 e, no norte de Londres, fez constantemente a atividade preferida da sua vida: marcar golos.

PA Images/Getty

Na sua estreia pelos spurs, Greaves fez um hat-trick contra o Blackpool, prenunciando o que se seguiria. O dianteiro somou 266 tentos em 379 partidas pelo Tottenham, números que o tornam o melhor marcador da história do clube. No comunicado que emitiu, o conjunto orientado por Nuno Espírito Santos destaca "um dos mais requintados goleadores" que Inglaterra já teve, frisando que "o futebol não voltará a ver" jogadores da "classe" de Greaves.

Os 37 golos que apontou na época 1962/63 continuam a ser o melhor registo de um jogador do Tottenham numa só temporada. Pelo clube, Greaves venceu a FA Cup em 1961/62 e 1966/67, bem como a Taça das Taças em 1962/63. Nesta última conquista, Greaves marcou dois dos cinco golos com que o Tottenham bateu, por 5-1, o Atlético de Madrid, naquele que foi o primeiro troféu europeu da história vencido por um clube inglês.

Após sair do Tottenham, o atacante assinou pelo West Ham, terminando a sua carreira com 357 golos na First Divison, um registo que continua a fazer de Jimmy Greaves o melhor marcador da história da principal liga inglesa, juntando a antiga First Divison à Premier League.

Com nove tentos apontados na Serie A com a camisola do Milan, Greaves somou 366 golos em ligas do grupo das big-5 (Inglaterra, Espanha, Inglaterra, Itália e França), um registo que constituiu um recorde até ser batido por Cristiano Ronaldo, em 2016/17. Neste momento, o português tem 478 tentos em grandes ligas, sendo que Messi também já superou a fasquia de Greaves (o argentino leva 474 golos em campeonatos das big-5).

PA Images Archive/Getty

Também com a camisola da seleção inglesa Jimmy se especializou em bater os guarda-redes rivais. Com 44 golos em 57 internacionalizações, é o quarto melhor marcador da história da seleção de Inglaterra, apenas atrás de Lineker, Bobby Charlton e Wayne Rooney, o máximo artilheiro do conjunto dos "três leões".

Greaves fez parte da equipa inglesa que venceu o Mundial 1966, na única grande conquista da seleção. Titular nas três partidas da fase de grupos, o avançado lesionou-se no último duelo dessa primeira fase, contra França, perdendo o lugar para Geoff Hurst, que viria a ser o grande herói inglês, apontando o golo que derrotou a Argentina nos quartos e um hat-trick na final contra a RFA.

Após essa final, Greaves não recebeu qualquer medalha de vencedor, visto que, segundo as regras da altura, só os 11 futebolistas que jogaram recebiam medalha. No entanto, após uma forte campanha, em particular dos adeptos ingleses, a FIFA mudou as regras e, em 2009, Greaves, bem como outros jogadores e staff que não tinham medalhas, receberam-nas das mãos do então primeiro-ministro britânico Gordon Brown, numa cerimónia em Downing Street. 43 anos depois, Jimmy recebia, finalmente, a mais cobiçada das medalhas.

Greaves recebe a medalha de campeão do mundo das mãos do primeiro-ministro Gordon Brown, em 2009

Greaves recebe a medalha de campeão do mundo das mãos do primeiro-ministro Gordon Brown, em 2009

Ian Nicholson - PA Images/Getty

O "momento mais duro" da vida do avançado, como o próprio admitiu, decorreu nos anos 70. Em 2003, Greaves revelou ao "The Guardian" ter sofrido um grave problema de alcoolismo: "Eu perdi os anos 70 completamente. Estive bêbado entre 1972 e 1977. Acordou uma manhã e percebi que estava num mundo totalmente diferente. Tinha estado a viver nele, mas não me tinha apercebido disso". Greaves admitiu que "bebia 20 cervejas por dia", bebendo ainda "vodka antes de ir para a cama".

Jimmy deixou de beber em fevereiro de 1978, "nunca mais voltando a tocar em álcool", segundo o próprio. Vencido o vício do alcoolismo, Greaves tornou-se um dos mais populares comentadores de futebol da televisão inglesa durante muitos anos. Em maio de 2015, sofreu um grave ataque cardíaco, o qual o deixou numa carreira de rodas.

Jimmy Greaves, descrito pelo "The Guardian" como "um génio" e o "mais puro dos goleadores que Inglaterra jamais produziu", deixa uma mulher, Irene, quatro filhos, 10 netos e um bisneto.