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Futebol internacional

Vice-presidente do Suriname foi titular e capitão num jogo da CONCACAF. Tem 60 anos e é dono do clube

Ronnie Brunswijk foi um dos jogadores do onze com que o Inter Moengotape enfrentou o Olímpia das Honduras, nos oitavos de final da Liga CONCACAF, a segunda competição de clubes mais importante da América do Norte e Central. Além de presidente e dono do clube, Brunswijk é uma figura da política local, conhecido por Robin Hood e com uma série de escândalos às costas

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Com o número 61 nas costas e a comandar o meio-campo do Inter Moengotape, Ronnie Brunswijk não era na terça-feira à noite apenas mais um jogador a disputar um encontro da Liga CONCACAF, o equivalente à Liga Europa no futebol da América do Norte e Central. Porque o médio da equipa do Suriname, que jogou em casa para os oitavos de final da prova, contra o Olímpia das Honduras, tem 60 anos.

A idade de Brunswijk, por si só, já seria uma informação insólita, na medida em que se trata de um jogo de uma competição internacional de clubes, mas há mais. Porque Ronnie Brunswijk é vice-presidente do Suriname, presidente da assembleia do país e também dono do Inter Moengotape. O jogo, esse, disputou-se em Paramaribo, capital do Suriname, casa emprestada do Inter. O estádio da equipa situa-se em Moengo. E chama-se Estádio Ronnie Brunswijk.

Talvez por a idade não permitir mais, o vice-presidente do Suriname saiu pouco depois do início da 2.ª parte, quando o Inter Moengotape já perdia por 3-0. As coisas, porém, não melhorariam: no final do encontro a equipa do Suriname levou um saco de seis golos para casa.

Homem de excessos. E extremos

Guerrilheiro na guerra civil que assolou o Suriname nas décadas de 80 e início da década de 90, Ronnie Brunswijk dedicou-se depois à política, mas não faltam escândalos e pontos de interesse na sua biografia.

Conhecido por Robin Hood entre as populações de Moengo, sua terra natal, Brunswijk ficou conhecido por, por exemplo, atirar dinheiro de um helicóptero durante uma das suas campanhas políticas. De acordo com o “The New York Times”, atrás de si tem duas condenações por tráfico de cocaína, na Holanda e em França, dos tempos em que foi exilado político na Europa. Brunswijk, condenado quando já havia regressado ao Suriname, nega qualquer envolvimento nos crimes, sublinhando que a sua fortuna vem das concessões de minas de ouro que garantiu depois da guerra civil. O “The New York Times” diz ainda que o vice-presidente do Suriname terá mais de 50 filhos.

No futebol, é também um homem de excessos. E de extremos. Tanto oferece carros a todos os jogadores da equipa como em 2005 terá ameaçado futebolistas do Inter com uma arma de fogo. Foi inicialmente suspenso por cinco anos pela federação do país, mas a falta de provas levou a que o caso caísse.

Em 2012 foi novamente suspenso, agora por um ano, depois de ameaçar um árbitro com violência. Agora, torna-se num dos homens mais velhos a fazer uma partida oficial de futebol.