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Futebol internacional

Arsène Wenger: “Não estou a viajar no meu ego. Isto não é sobre mim. É sobre melhorar o futebol e estou disposto a correr esse risco”

A ideia, que já é uma proposta, de o Mundial se passar a jogar a cada dois anos, acompanhado por uma reestruturação do calendário competitivo internacional, vem do antigo treinador do Arsenal. O plano tem recebido muitas críticas, sobretudo vindas da Europa, mas Arsène Wenger atribuiu muitas das respostas negativas por "não não olharem para o plano completo"

Diogo Pombo

Stuart MacFarlane/Getty

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É o Chefe para Desenvolvimento Global do Futebol da FIFA, o cargo que ocupa não é de agora, embora, nestes últimos dois meses, Arsène Wenger esteja a entrar com uns pés juntos figurativos contra um dos esteios tido como definitivo da modalidade: o Campeonato do Mundo jogar-se a cada quatro anos.

A mais badalada das ideias sugeridas pelo ex-treinador é a de a prova passar a realizar-se de dois em dois anos, coisa que a FIFA gostou, está a difundir, está a reunir antigos jogadores para verem o que acham e também já está a consultar a opinião dos adeptos. Mas, aos poucos, a insurgência espalhou-se — UEFA, Conmebol, ligas europeias, a Associação Europeia de Clubes e até a UE já se declararam contra a proposta.

Porquê? Todas deram os seus motivos, mas Wenger acredita que muito se deve a um suposto desconhecimento do seu plano. "Algumas pessoas julgaram-no com base, apenas, no Mundial passar a jogar-se a cada dois e isso foi mais emocional, pois todos crescemos nesse ciclo, e entendo isso", admitiu, esta sexta-feira, em entrevista à "BBC", argumentando depois que "muitas das respostas negativas surgiram porque não viram todo o conceito", que "só faz sentido se for vista a proposta completa".

O plano por inteiro, com que Wenger quer resolver "o caos e o congestionamento" do futebol, está aqui e implica o reordenamento do calendário competitivo internacional, com base em outras três ideias: haver só um (outubro), ou dois (outubro e março), períodos para jogos de seleções por ano, ao invés dos cinco atuais; os torneios continentais (Europeu, Copa América e afins) se intercalarem com o Mundial, nos anos ímpares; e férias garantidas para os jogadores, no final de cada época, durante pelo menos 25 dias.

Arsène Wenger vincou, uma vez mais, que o atual formato do calendário competitivo internacional — em vigor até 2024 — "não [tem] claridade, simplicidade, nem é uma forma moderna de organizar a época", e daí a sua intenção de "reagrupar as qualificações".

O francês, de 71 anos, defendeu que "as repetidas viagens e o jet-lag" são "absolutamente prejudiciais para os jogadores". Ao reduzir o período anualmente dedicado aos jogos de qualificação de seleções, Wenger acredita que "os clubes e os jogadores vão sair beneficiados".

Questionado, também, sobre a possibilidade de o Mundial ser desvalorizado se a periodicidade for reduzida em dois, o antigo treinador acha que não: "É um evento tão grande que penso que não vai ser diminuída em prestígio. Queres ser o melhor do mundo e queres ser o melhor do mundo todos os anos".

A proposta tem injetado polémica, discussão e críticas à agenda do futebol e Arsène Wenger está disposto "a correr um risco, porque esse risco é melhor o futebol". O francês assegura que não está "a viajar no próprio ego", foi-lhe foi pedido que "ajudasse a moldar o calendário [competitivo] de amanhã". Garante que "está a consultar todo o mundo" e resume a sua missão — "melhorar o futebol".