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Futebol internacional

Árbitro da final do Euro 2016 sobre as colegas: “As mulheres têm de fazer uma escolha: querem engravidar ou ser árbitras?”

Mark Clattenburg disse aos microfones da rádio talkSPORT que as carreiras das mulheres árbitras são travadas se estas pretenderem engravidar quando questionado sobre a falta de juízas no futebol de elite de Inglaterra. Palavras que tiveram eco no país. E que mereceram críticas

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Plumb Images/Getty

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Com praticamente 300 jogos na Premier League, uma final olímpica, uma final da Liga dos Campeões e jogos em Europeus e Mundiais, Mark Clattenburg é um dos mais experientes árbitros europeus e está intimamente ligado à história do futebol português, já que era ele o homem do apito na final do Euro 2016, conquistado por Portugal.

Mas currículo não significa exatamente mente aberta ou jeito com as palavras. O árbitro que em 2017 deixou a Premier League para abraçar posições na Arábia Saudita e China está a ser duramente criticado depois de proferir declarações consideradas sexistas sobre árbitras de futebol e seu papel na Premier League.

Na sequência da estreia de Sara Cox como árbitra na principal liga de râguebi masculino em Inglaterra, Clattenburg, de 46 anos, foi questionado na rádio talkSPORT sobre a ausência de mulheres a dirigir jogos de futebol na Premier League. E a resposta teve o condão de adensar mitos e preconceitos.

“O problema com as mulheres, e isso acontece também na arbitragem, é que elas têm um caminho difícil se quiserem engravidar durante a carreira, o que as vai travar”, começou por dizer Clattenburg, que prosseguiu: “Elas têm de fazer uma escolha: querem engravidar ou ser árbitras?”.

Clattenburg apitou final do Euro 2016

Clattenburg apitou final do Euro 2016

VI-Images/Getty

O árbitro deu ainda a entender que depois de uma gravidez fica mais difícil para uma mulher passar os exames físicos necessários para arbitrar na Premier League. “Muitas mulheres têm dificuldades nos testes físicos masculinos. E se quiserem arbitrar, têm de cumprir esse critério”, afirmou, explicando depois que “quando as mulheres têm um bebé estão fora nove ou 10 meses e depois são necessários mais seis meses para o corpo recuperar”.

“Fazendo as contas, são quase dois anos. E o teste físico para os homens é muito, muito exigente”, continuou.

As declarações de Clattenburg já tiveram resposta por parte da Women in Football, uma associação de promoção do futebol no feminino, que frisou que embora o árbitro tenha tido uma carreira “cheia de sucesso”, a sua visão e palavras sobre as mulheres árbitras e a maternidade são “desinformadas”.

“Em qualquer profissão, as mulheres enfrentam desafios na hora de equilibrar trabalho com família. Tal como muitos homens, mas para estes homens isso não se apresenta como um problema e nunca se espera que os homens tenham de escolher entre dois caminhos”, escreveu a líder da Women in Football, Jane Purdon, num comunicado lançado nas redes sociais da associação.