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Futebol internacional

A Roma de Mourinho atacou, atacou e atacou, mas esbarrou na velha muralha de Bonucci e Chiellini

Na deslocação a Turim, a equipa do técnico português perdeu (1-0) contra a Juventus. A Roma rematou mais, criou perigo e até falhou um penálti, mas foi incapaz de marcar contra um conjunto que continua a ter dois catedráticos da defesa

Pedro Barata

Anadolu Agency/Getty

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Decorria o minuto 72 do Juventus-Roma. Com a equipa da casa a vencer, por 1-0, os visitantes tentavam criar perigo e chegar ao empate. O lateral uruguaio Matías Viña avançou pela esquerda, ganhou espaço dentro da área e, quando rematou e, se calhar, na sua cabeça já pensava no festejo do 1-1, uma última perna apareceu no caminho e travou o disparo. Era Giorgio Chiellini, com um corte in extremis, daqueles que ele vem fazendo há quase duas décadas.

A Juventus derrotou a Roma de José Mourinho por 1-0, somando a quarta vitória seguida e continuando a subir na tabela da Série A após umas primeiras partidas para esquecer. Mas, se os três pontos ficaram em Turim, muito se deveu aos cortes, bloqueios, intercepções e, no geral, sabedoria defensiva de Chiellini e Bonucci, uma dupla que às vezes parece querer ser eterna.

DeFodi Images/Getty

A equipa de Mourinho apresentou-se no Norte de Itália com personalidade, disposta a discutir a partida, mas não resistiu a várias contrariedades. Quanto Rui Patrício praticamente ainda não tinha tido trabalho, um cruzamento da esquerda, ao minuto 16, encontrou Bentancur ao segundo poste, com o uruguaio a cabecear contra Moise Kean que, de maneira algo fortuita, colocou os locais na frente.

Como um azar nunca vem só, pouco depois do 1-0 Zaniolo, um craque que parece feito de cristal, lesionou-se, tendo de sair - entrou El Shaarawy para o seu lugar.

Em vantagem no marcador, a Juventus sentiu-se cómoda esperando atrás pela Roma. Os "giallorossi" têm na frente Tammy Abraham, um avançado que a cada arrancada promete partir as defesas adversárias ao meio. O inglês, que nunca parou de animar os seus colegas, arrancou pela zona central pouco antes do intervalo e conquistou um penálti.

Abraham tentou convencer Veretout a bater o castigo máximo, mas o francês insistiu em ser ele a assumir a responsabilidade. No entanto, Szczesny defendeu o remate do médio da Roma. Quando Bonucci ou Chiellini não estavam lá, o polaco dizia presente.

Filippo Alfero - Juventus FC/Getty

A segunda parte até começou com Bernardeschi a ameaçar, por duas vezes, o 2-0, mas a etapa complementar revelar-se-ia quase um monólogo dos homens de Mourinho. A Roma encostou a Juve atrás, rematou muito (15 tiros contra seis), mas havia sempre alguém a surgir entre a bola e a baliza.

E esse "alguém" era, quase sempre, Bonucci ou Chiellini. Ao minuto 83, mais um tiro dos visitantes, desta feita de Crisitante, parecia poder levar selo de golo, mas a perna de Bonucci esticou-se e afastou o perigo. A cada aproximação romana, a muralha da velha dupla da Juve, recentemente coroada campeã da Europa, erguia-se para proteger o triunfo da Juventus.

Soccrates Images/Getty

Em 2018, depois de jogar com o Manchester United contra a "vecchia signora", Mourinho disse que Bonucci e Chiellini "podiam dar aulas" em Harvard sobre "como ser um defesa-central". E os veteranos, de, respectivamente, 34 e 37 anos, voltaram a dar uma lição de defesa da área, de protecção da sua baliza, de resistência à superioridade do adversário. Há coisas que parecem nunca mudar.