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Futebol internacional

Mourinho foi ao norte da Noruega sofrer a pior derrota da carreira: o Bodø/Glimt deu 6-1 à Roma na Liga Conferência

Escândalo na Noruega, onde José Mourinho foi sofrer a derrota mais pesada de uma caminhada com mais de um milhar de jogos. Nunca o português tinha sofrido seis golos num só jogo e o carrasco não foi um dos gigantes europeus, mas sim um humilde emblema nórdico que se sagrou campeão do seu país pela primeira vez em 2020

Lídia Paralta Gomes

Mats Torbergsen/EPA

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É longa a viagem até Bodø, uma cidadezinha com pouco mais de 50 mil habitantes nos confins do norte da Noruega. Será, seguramente, um dos sítios mais setentrionais onde se joga à bola de forma profissional e o Bodø/Glimt entrou para a história do seu país ao sagrar-se campeão norueguês pela primeira vez em 2020, título inédito de um clube do norte, que surpreendeu numa liga que tem sido largamente dominada pelo Rosenborg, de Trondheim.

No seu estádio com pouco mais de sete mil cadeiras, o Bodø/Glimt fez abrir os olhos de muito bom curioso do futebol nos últimos dois anos, à conta do seu jogo de ataque, que levou até o extremo Jens Petter Hauge a uma transferência para o Milan (está agora no Eintracht Frankfurt, emprestado).

Mas talvez nem o título norueguês vá ter um impacto tão grande neste pequeno clube como o que aconteceu esta quinta-feira, em jogo a contar para a Liga Conferência. Porque foi o Bodø/Glimt e não um qualquer gigante de uma das grandes ligas a impôr a pior derrota da carreira de José Mourinho: a Roma perdeu por 6-1 e nunca o treinador português, em mais de um milhar de jogos como técnico principal, havia sofrido meia-dúzia de golos num só jogo, um dado avançado pela BT Sports.

Mats Torbergsen/EPA

Em jogo a contar para a fase de grupos da prova, José Mourinho entrou com um onze alternativo em campo (Zaniolo nem viajou), mas ainda assim com jogadores como Borja Mayoral, Carles Pérez e com Rui Patrício na baliza. E logo nos primeiros 20 minutos, o Bodø/Glimt disse ao que vinha, com trocas de bola entusiasmantes, que colocavam os noruegueses rapidamente nas imediações da área romana.

A surpresa começou a construir-se logo aos 8', com um golo de Botheim, com o capitão Patrick Berg a aumentar a contagem aos 20', numa fantástica jogada de ataque organizado que terminou com um não menos brilhante remate à entrada da área (onde a Roma deixou todo o espaço do mundo) sem hipóteses para Patrício.

Pérez reduziu aos 28' e acreditava-se que começava aí a reviravolta, mas na 2.ª parte o escândalo só aumentou. E com proporções épicas. Mesmo colocando em campo vários habituais titulares, como Pellegrini, Abraham ou Mkhitaryan, a Roma sofreu mais quatro golos, com Botheim a bisar aos 52', Solbakken a marcar aos 71' e 80' e Pellegrino a marcar também pelo meio, aos 78'.

A realidade gélida de uma derrota inesperada, nas temperaturas árticas de Bodø, num jogo em que a equipa da casa até nas estatísticas foi superior: rematou mais (13/6) e teve mais posse de bola (53%/47%).

No final, Mourinho queixou-se da diferença de qualidade entre os seus habituais titulares e a segunda linha da Roma. "Se pudesse jogar sempre com os mesmo, fá-lo-ia. Mas é um grande risco. Há uma grande diferença de qualidade entre o grupo de 13/14 jogadores e o outro grupo. Mas esperava outra resposta", disse o português.

Não foi um dia feliz para os treinadores portugueses na nova competição da UEFA, porque também Nuno Espírito Santo foi surpreendido por uma formação bem inferior: o Vitesse bateu o Tottenham por 1-0.