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Futebol internacional

Marcus Rashford foi condecorado pelo príncipe William por “tentar que nenhuma criança passasse fome durante a pandemia”

O internacional inglês e jogador do Manchester United recebeu o título de Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) pela sua campanha contra a fome infantil, tendo prometido continuar a lutar para dar às crianças coisas que não teve quando era mais novo. E revelou que ofereceria a condecoração à sua mãe, Melanie

Pedro Barata

ANDREW MATTHEWS/Getty

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Marcus Rashford tornou-se, particularmente desde 2020, em mais do que um dos melhores jogadores de futebol ingleses da sua geração. As 46 internacionalizações por Inglaterra e 277 partidas (com 91 golos) pelo Manchester United, a juntar a presenças em dois Europeus e num Mundial, já seriam motivo de louvor para um atleta de 24 anos, mas o atacante tem-se esforçado para que, fora do campo, os seus feitos sejam ainda mais relevantes e importantes.

Tudo começou quando, durante o primeiro confinamento provocado pela pandemia e consequente fecho de escolas, foi anunciado o fim do programa de refeições grátis que muitas crianças e jovens britânicos recebiam diariamente nas suas instituições de ensino. Ao saber disso, Rashford, que durante a sua infância precisou dessas refeições gratuitas, fez um apelo aos deputados britânicos, pedindo-lhes que voltassem atrás com a decisão.

A pressão feita e liderada pelo jogador levou a que fossem pagos vales-refeição a 1,3 milhões de crianças de famílias com rendimentos baixos e que normalmente beneficiariam de refeições escolares gratuitas.

Após essa primeira vitória, Rashford não parou de lutar por um mundo melhor, desde a realização de mais campanhas direcionadas ao combate à fome infantil até à luta contra o racismo, passando ainda pela criação de um clube de leitura. Por isso, foi eleito o futebolista do ano em 2020 pelo "The Guardian" e foi homenageado pela BBC.

Agora o reconhecimento chegou da casa real britânica. Na primeira cerimónia de investidura desde o início da pandemia, realizada no castelo de Windsor, o príncipe William condecorou Marcus Rashford com o título de Membro da Ordem do Império Britânico (MBE), o terceiro mais importante dentro da Ordem do Império Britânico, devido ao trabalho feito pelo jogador para "tentar que nenhuma criança passasse fome durante a pandemia".

Após receber a condecoração, Marcus Rashford revelou que a daria à sua mãe, Mel Maynard, que o criou a ele e aos seus quatro irmãos ao mesmo tempo que trabalhava a tempo inteiro recebendo o salário mínimo.

Em dezembro de 2020, a mãe de Rashford revelou aquilo por que teve de passar durante a infância dos seus filhos, numa entrevista à BBC: "Eu tinha três trabalhos e, se eu não os tivesse, nós não teríamos o suficiente para comer. Era difícil. Eu preferia dar a comida aos miúdos do que dá-la a mim. Às vezes, eu não comia nada e eles perguntavam-me 'já comeste?'. E eu dizia que sim, mas não tinha comido nada. Às vezes, nem tínhamos pão em casa. É embaraçoso dizê-lo, mas não tínhamos".

Rashford com a sua mãe na cerimónia de condecoração

Rashford com a sua mãe na cerimónia de condecoração

ANDREW MATTHEWS/Getty

Rashford, cujas campanhas humanitárias têm recebido críticas por parte de alguns políticos ingleses, tendo mesmo o seu treinador no Manchester United, Solskjaer, dito que o jogador "precisa de colocar o futebol como prioridade", resumiu, após a cerimonia, o que tenta fazer: "Procuro dar às crianças coisas que eu não tive enquanto criança".

O avançado explicou que só pretender "dar oportunidades às crianças", porque "todas merecem uma".

"Para mim, que elas não tenham coisas como refeições ou livros é um castigo", considerou "Rash", que opinou que se toda a gente "se unir" e fizer "pequenas mudanças", é possível "melhorar a vida das gerações mais novas".