Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Futebol internacional

Morata e os insultos durante o Europeu: “Houve alturas em que acordei e não me apetecia fazer nada. Ninguém é perfeito, não somos máquinas”

De regresso à seleção, Álvaro Morata recorda os momentos difíceis por que passou durante o europeu, quando recebeu insultos e ameaças que afetaram toda a sua família. Hoje, o espanhol está confiante de que a situação começa a mudar e mostra-se focado nos jogos que tem pela frente ao serviço de Espanha e da Juventus

Rita Meireles

Michael Regan - UEFA

Partilhar

Foi uma das histórias que marcou o Euro 2020. O avançado espanhol Álvaro Morata foi alvo de críticas por causa das suas exibições e, após o jogo entre Espanha e Polónia, confessou mesmo estar a receber ameaças que o afetariam não só a ele, mas também aos filhos.

“Talvez não tenha feito o trabalho como deveria. Percebo que me critiquem por não marcar golos, mas gostava que as pessoas se pusessem no lugar de quem recebe ameaças, a quem dizem desejar a morte dos filhos. De cada vez que chego ao quarto, ponho o telemóvel longe de mim. O que me custa é que o digam à minha mulher, aos meus filhos”, disse o jogador à emissora "COPE", durante do Europeu.

De regresso à seleção espanhola, agora para disputar os jogos de apuramento para o Mundial 2022, Morata recordou o torneio e, em entrevista ao "El País", falou ainda do mau momento da Juventus e do seu papel na equipa depois da saída de Cristiano Ronaldo.

“Houve alturas em que acordei no meu quarto e não me apetecia fazer nada. Até que ia tomar o pequeno-almoço e via os meus companheiros de equipa ou falava com a minha mulher ao telefone e tinha vontade de fazer tudo novamente”, explica o jogador, que descreveu a situação como “verdadeiramente trágica”.

O jogo com a Itália é o momento que Morata não esquece.

Depois de marcar o golo que deu o empate por 1-1 e deixou a Espanha na corrida, foi de herói a vilão ao falhar um dos dois penáltis que ditou a derrota dos espanhóis.

“Terei sempre na minha mente que teríamos continuado se tivéssemos vencido a Itália, porque com a forma como jogámos, contra a Inglaterra teríamos tido uma grande oportunidade”, confessou.

Anadolu Agency

O lado positivo da situação é que as coisas parecem ter mudado um pouco desde o europeu, quando Morata trouxe o assunto a público.

“Ninguém é perfeito, nós não somos máquinas, eu sei o que me é exigido aqui. Não me posso zangar com nada que seja uma crítica ou em ser assobiado, mesmo que isso me incomode, mas há coisas que precisam de ser melhoradas, tais como o ódio que é demonstrado. De qualquer forma, penso que algo está a mudar, que as pessoas estão a aperceber-se de que existem limites. No campo posso ser insultado ou cuspido, mas lá fora, quando estou a caminhar, ou a minha mulher, com os meus filhos, não, é diferente”, afirmou.

Atualmente, o mau momento é outro. Ainda que a época tenha começado bem ao serviço da Juventus, uma lesão tirou-lhe o ritmo. Além de que, nos últimos tempos, o clube tem passado por uma crise de resultados que empurraram a Juventus para a sétimo lugar da Serie A

“Estive fora durante quase um mês e, devido à pressa de voltar, não estava fisicamente em forma. Tive de trabalhar arduamente para a equipa e não estava no estado de espírito certo para marcar golos”, explicou Morata, realçando que no campeonato italiano, neste momento, “está muito difícil chegar aos primeiros lugares”. O objetivo por agora passa por “tentar entrar nos lugares da Liga dos Campeões”.

Questionado sobre se a saída de Cristiano Ronaldo, para o Manchester United, coloca sobre si uma maior pressão na hora de fazer golos, Morata descartou a ideia: “Todos nós temos pressão, já que estou emprestado [pelo Atlético de Madrid], pode ser que se fale e eles estejam a olhar mais para mim, mas quando não és o dono do teu destino a única coisa que podes fazer é trabalhar”, concluiu.