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Futebol internacional

"Que seja eterno enquanto dure": o regresso improvável de Dani Alves ao Barcelona

O brasileiro, excelente tecnicamente e genial na perceção da sua posição (que refinou na ligação com Lionel Messi), está feliz por regressar ao “melhor clube do mundo”. Dani Alves saíra no final da temporada 2015/16 para a Juventus, onde ficou apenas um ano, mudando-se depois para o PSG. “Quase cinco anos a lutar para chegar a este momento”, escreveu, numa espécie de carta de amor aos blaugrana

Hugo Tavares da Silva

Miguel Ruiz

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O futebol não se cansa de oferecer histórias improváveis. Dani Alves, de 38 anos, vai jogar no Barcelona outra vez. O lateral brasileiro, o futebolista mais titulado do mundo (46, 23 deles no Barça), chegou ao Camp Nou pela primeira vez em 2008.

Ou seja, Gavi (2004), Nico (2002), Ansu Fati (2002) e Eric García (2001) eram uns rapazinhos.

Xavi, o novo treinador do clube, chegou há poucos dias e, mais do que as normas, multas e “ordem” que prometeu, surpreende ao fazer Dani Alves regressar, numa altura em que este estava sem clube, depois de uma passagem pelo São Paulo, entre 2019 e 2021.

Agora, depois de ser anunciado com um mero "Good crazy" nas redes sociais, Alves vai reencontrar Marc ter Stegen, Gerard Piqué, Jordi Alba, Sergi Roberto e Sergio Busquets, mas só nos treinos, já que oficialmente só poderá competir a partir de janeiro.

O brasileiro, excelente tecnicamente e genial na perceção da sua posição (que refinou na ligação com Lionel Messi), está feliz por regressar ao “melhor clube do mundo”. Dani Alves saíra no final da temporada 2015/16 para a Juventus, onde ficou apenas um ano, mudando-se depois para o PSG.

“Quase cinco anos a lutar para chegar a este momento”, escreveu o futebolista no Instagram, juntamente com uma fotografia onde surge a beijar o escudo do Barcelona no relvado do Estádio Camp Nou.

E acrescentou: “Não sabia que demoraria tanto, não sabia que seria tão difícil, mas sabia dentro do meu coração e da minha alma que este dia chegaria. Regresso a uma casa de onde nunca saí, e como disse antes de ir: sou mais um de vocês. Não sei quanto tempo durará este sonho, mas que seja eterno enquanto dure”.

Paul Gilham

Dani Alves, o “lateral direito mais bem-sucedido da história” do Barça, como escreve o clube no site oficial, jogou 391 vezes com a camisola blaugrana, marcando 23 golos. Ao longo de oito épocas foi treinado por Josep Guardiola, Tito Vilanova, Tata Martino e Luis Enrique.

O brasileiro foi a primeira contratação da era Guardiola, que o resgatou ao Sevilha, onde chegou em 2002, proveniente do Bahia. Mais tarde, diria que trabalhar com Guardiola era “melhor do que sexo”.

Curiosidade: quando Xavi abandonou o Barcelona, Dani Alves herdou o número 6 na camisola culé. O primeiro número, contudo, foi o 20. Depois mudou para o 2 e, para homenagear Éric Abidal (que combateu um cancro), vestiu o 22.

Há um dado que ajuda a mostrar o peso de Dani Alves num clube com o Barcelona: é o segundo estrangeiro com mais jogos (391), só atrás de Lionel Messi (778).

O internacional brasileiro vai encontrar um Barcelona bem diferente que deixou para trás. Dani Alves, que ganhou duas vezes o triplete na Catalunha, vai aterrar numa equipa na 9ª posição da La Liga, a 11 pontos do líder, a Real Sociedad.

O angustiado balneário catalão recebe assim uma injeção de alegria e qualidade. Sergiño Dest e o deslocado Óscar Mingueza recebem agora um colega para lhes complicar a vida naquele corredor direito. Falta saber em que condições chega Dani Alves. Uma coisa é certa, categoria e conhecimento do jogo nunca faltaram.

Será que o brasileiro sonha agora jogar o Campeonato do Mundo, no Catar?