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Futebol internacional

Quinze anos depois, o fim da era de "El Maestro" Tabárez: selecionador do Uruguai foi despedido em plena qualificação para o Mundial

O treinador que voltou a colocar o Uruguai na elite do futebol mundial deixa a equipa após quatro derrotas consecutivas na qualificação para o Mundial 2022. Com "El Maestro", de 74 anos, os sul-americanos voltaram aos triunfos na Copa América e tornaram-se uma constante em Campeonatos do Mundo. E foi ele também que instituiu "O Processo", um projeto que colocou todas as seleções jovens do país a jogar segundo uma mesma matriz

Lídia Paralta Gomes

Han Myung-Gu

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Há um antes de Óscar Tabárez no futebol uruguaio. Não o antes de 1930 e 1950, quando a equipa sul-americana se sagrou campeã mundial de futebol, mas um antes em que entre 1994 e 2010 apenas por uma vez o Uruguai conseguiu chegar à fase final da prova, em 2002, para cair logo na fase de grupos com dois empates e uma derrota.

Com o regresso de Tabárez ao comando técnico da equipa em 2006 - já lá tinha estado entre 1988 e 1990 - tudo mudou. Tendo à disposição uma das melhores gerações de sempre, com Diego Forlán, Luis Suárez, Diego Godín e mais tarde Edinson Cavani, o experiente treinador levou o Uruguai de novo à elite do futebol mundial, a feitos históricos e a títulos. E não só: a sua chegada marcou o início do “Processo”, um projeto transversal a todas as seleções jovens do país, onde foi instituído o 4x3x3 para facilitar a formação dos jogadores.

Mas a caminhada acabou esta sexta-feira. Depois de quatro derrotas consecutivas na qualificação para o Mundial 2022, a última das quais um inesperado 3-0 frente à Bolívia, a federação uruguaia despediu o treinador de 74 anos, conhecido por “El Maestro”.

MAURO PIMENTEL

“Expressamos enfaticamente que esta decisão não implica desconhecer a importância e a contribuição de Tabárez no futebol uruguaio. Reconhecemos os feitos desportivos obtidos nestes 15 anos, que colocaram novamente o Uruguai nos primeiros lugares do futebol mundial”, pode ler-se num comunicado lançado pela AUF, que fala numa “decisão difícil” que se justifica pelas “circunstâncias presentes”.

E as circunstâncias presentes são que o Uruguai é apenas 7.º no grupo de qualificação sul-americano para o Catar 2022, ainda que a apenas 1 ponto do 4.º lugar, o último de qualificação direta. Caso falhe a presença no próximo Mundial, será a primeira vez desde 2010 que a formação celeste não está presente na prova.

E com Tabárez, o sucesso foi uma constante: em 2010, o Uruguai foi a grande surpresa do Mundial, com um futebol entusiasmante que levou a equipa até às meias-finais. Em 2014 chegou aos oitavos de final e em 2018 caiu nos quartos de final com a França, depois de eliminar Portugal nos oitavos de final.

Com Tabárez, que nos últimos anos tem sido apoquentado pelo Síndrome de Guillain-Barré, que lhe limita os movimentos, o Uruguai regressou aos títulos continentais, vencendo a Copa America em 2011, na Argentina.