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Futebol internacional

Agora sim, o fim: Ole Gunnar Solskjaer já não é treinador do Manchester United

O matador com cara de bebé tornou-se demasiado suave para as exigências do banco do Manchester United. Depois da humilhante derrota frente ao Watford por 4-1, Solskjaer e o clube acordaram a saída. Em comunicado, os red devils sublinham o estatuto de glória do clube do norueguês, um lugar na história que "continuará seguro"

Lídia Paralta Gomes

Matthew Peters/Getty

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A derrota frente ao Watford por 4-1, a segunda consecutiva na Premier League e que colocava o registo do Manchester United em apenas uma vitória nos últimos sete jogos, tornou uma situação dramática em algo insustentável. E este domingo, os red devils confirmaram o inevitável: Ole Gunnar Solskjaer está de saída do clube.

Num comunicado em que sublinha sempre o estatuto de lenda do clube do norueguês, o Manchester United confirma o despedimento do treinador, "uma difícil decisão", que não deve "tapar todo o trabalho" que Solskjaer fez "nos últimos três anos, onde construiu fundações para o sucesso a longo prazo" do United.

"O Ole sai com o nosso sincero agradecimento pelos seus incansáveis esforços enquanto treinador e desejamos-lhe o melhor para o futuro. O seu lugar na história estará sempre seguro, não apenas a sua caminhada como jogador, mas como um grande homem e treinador, que nos deu grandes momento. Ele será sempre bem-vindo a Old Trafford como parte da família do Manchester United", frisa ainda o clube, que é apenas 7.º na Premier League.

Desde a noite de sábado que a imprensa britânica indicava que de uma reunião de emergência da estrutura diretiva do United tinha saído a decisão de despedir o treinador. Horas depois, confirmou-se o cenário.

Uma das figuras do Manchester United nos anos 90 e início do século 21, Ole Gunnar Solskjaer venceu seis vezes a Premier League com o clube, além de uma Liga dos Campeões, onde marcou na emocionante final de 1999, em Barcelona, frente ao Bayern Munique. O seu faro para o golo escondido numa cara de garoto valeu-lhe a alcunha de "matador com cara de bebé". Mas como treinador no clube faltou sempre a frieza em frente aos objetivos e não conseguiu qualquer troféu.

O norueguês foi escolhido inicialmente como interino depois da saída de José Mourinho, em dezembro de 2018. Logo em janeiro de 2019 ganhou o prémio de treinador do mês na Premier League e em março o Manchester United optou por contratá-lo definitivamente após um início auspicioso. Na primeira temporada foi 6.º, em 2019/20 terminou em 3.º e na última época foi vice-campeão na Premier League, chegando também à final da Liga Europa, onde perdeu com o Villarreal.

Esta temporada as expectativas com a chegada de Cristiano Ronaldo e Raphael Varane acabaram por não ter reflexo em campo, com o Manchester United a apresentar-se como uma equipa com dificuldades em construir jogo, previsível no ataque e macia na defesa. Em 17 jogos esta época em todas as competições, o United venceu apenas sete, tendo também sido precocemente eliminado da Taça da Liga.

De acordo com o clube, Michael Carrick, também ele um antigo jogador do clube, vai assumir para já o comando da equipa, que procura agora um treinador interino para assumir o cargo até ao fim da temporada.

  • O Manchester United de Solskjaer. Ou como ninguém espera por gigantes presos no passado
    Crónica

    Um exemplo paradigmático de Ole Gunnar Solskjær no Manchester United é o milagre de Paris, há dois anos, quando a desfalcada equipa inglesa conseguiu uma vitória épica sobre o favorito Paris Saint-Germain. Analisar resultados sem ter em conta as circunstâncias que os provocam leva demasiadas vezes a decisões imediatistas e esse jogo, escreve o analista de futebol Tomás da Cunha, agarrou o treinador norueguês ao cargo — até hoje, que tem melhor plantel, mas continua a não conseguir montar uma equipa. E a Premier League, no topo, já não aceita a mediania coletiva