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Os candidatos crónicos e as equipas a seguir com atenção: vai começar a Liga 2018/19

A Liga portuguesa começa esta sexta-feira, com um Benfica-Vitória de Guimarães (20h30, BTV) que promete, por envolver um crónico candidato ao título e uma equipa rejuvenescida que pode ser uma das revelações da prova. Estas e outras considerações sobre o campeonato português, versão 2018/19, seguem no texto abaixo

Tiago Teixeira (analista de futebol)

O Sporting de Braga de Abel Ferreira ficou em 4º lugar em 2017/18, mas esta época pode lutar por bem melhor

Octavio Passos/ getty

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Os três crónicos candidatos ao título

FC Porto: à sombra de Brahimi

Do 11 base da época passada saíram Ricardo (lateral direito) e Marcano (defesa central), sendo que Marega (avançado), que neste momento se encontra a treinar à parte, ainda pode sair. Este é, por isso, um FC Porto com menos qualidade individual do que o que foi campeão na época passada, particularmente no sector defensivo.

Se olharmos para o 11 inicial, com Maxi Pereira no lugar de Ricardo e os reforços Mbemba ou Militão no lugar de Marcano (Diogo Leite deverá ser a quarta opção, ainda que tenha sido titular na Supertaça conquistada perante o Aves), vemos uma linha defensiva relativamente mais fraca, sobretudo no que diz respeito à construção, uma vez que Ricardo, através da condução de bola, e Marcano, através do passe vertical, eram defesas que ofereciam muita qualidade com bola.

Do meio-campo para a frente, os titulares mantêm-se os mesmos, e aí temos, por isso, um FC Porto ao nível da época passada. A titularidade de Óliver Torres em detrimento de Sérgio Oliveira poderia ser o passo ideal em direção a um aumento da qualidade de jogo, uma vez que o médio espanhol acrescentaria a qualidade técnica, o critério e a criatividade que faltam ao ataque posicional do FC Porto em muitos momentos, mas tal não parece estar nos planos de Sérgio Conceição pelo menos para já.

Brahimi foi um dos melhores jogadores da Liga em 2017/18 e já marcou um golo na Supertaça conquistada pelo FC Porto frente ao Aves esta época

Brahimi foi um dos melhores jogadores da Liga em 2017/18 e já marcou um golo na Supertaça conquistada pelo FC Porto frente ao Aves esta época

Foto Carlos Rodrigues/Getty

A principal arma individual continuará a ser o talentoso Brahimi, que através da sua qualidade técnica e criatividade consegue desmontar uma organização defensiva inteira, enquanto os ataques à profundidade por parte da dupla de avançados (Aboubakar e André Pereira - ou Marega...) serão novamente o comportamento mais perigoso do FC Porto em termos ofensivos.

Benfica: à espera de Jonas

Em relação à época anterior, nenhum dos habituais titulares saiu do plantel e, por isso, no que diz respeito à qualidade individual no 11 inicial, este é, no mínimo, um Benfica ao nível do anterior, caso Rui Vitória assim o queira. A única dúvida, de momento, é mesmo a indefinição em torno da permanência de Jonas, que não permite garantir que este cenário se mantenha até ao fecho do mercado de transferências.

Jonas foi o melhor marcador da Liga 2017/18, com 34 golos marcados, mas, aos 34 anos, pode estar de saída do Benfica

Jonas foi o melhor marcador da Liga 2017/18, com 34 golos marcados, mas, aos 34 anos, pode estar de saída do Benfica

Foto Carlos Rodrigues/Getty

Com a titularidade de Vladochimos, em detrimento de Bruno Varela, o Benfica aumentou a qualidade na baliza, uma vez que o alemão, apesar de não ter o nível de outros guarda-redes que o Benfica já teve, como por exemplo Ederson e Oblak, oferece mais garantias do que o português.

Do meio-campo para a frente, a quantidade e qualidade das soluções ao dispor de Rui Vitória é enorme. Seja em 4-4-2 ou 4-3-3, o Benfica tem jogadores para praticar um futebol de qualidade em termos ofensivos e só não o fará se o treinador encarnado não souber aproveitar os jogadores com mais qualidade técnica e criatividade que tem no plantel, como, por exemplo, Zivkovic e Krovinovic, que no ano passado demonstram muita qualidade quando atuaram no trio de meio-campo no corredor central.

Caso permaneça, Jonas continuará a ser a maior arma do Benfica em termos ofensivos, tanto em zonas de finalização, pela quantidade de golos que marca, como em zonas de criação, por toda a qualidade com que liga sempre da melhor maneira os lances ofensivos.

Sporting: à procura do melhor coletivo

Dos três grandes, o Sporting é aquele que mais alterações irá apresentar no 11 inicial em relação à época anterior, uma vez que saíram Patrício (guarda-redes), Piccini (lateral direito), Coentrão (lateral esquerdo), William (médio defensivo) e Gelson (extremo direito), todos habituais titulares na última época, sob indicações de Jorge Jesus.

Com Viviano e Renan para a baliza e Ristovski e Bruno Gaspar para a lateral direita, José Peseiro tem soluções para colmatar as saídas e apresentar qualidade, mas nas posições de médio defensivo e de lateral esquerdo este é um Sporting mais fraco, uma vez que nenhuma das soluções novas apresenta a qualidade de William e Coentrão, principalmente em termos ofensivos.

Aos 31 anos, Nani regressou ao Sporting e já é o novo capitão de uma equipa renovada

Aos 31 anos, Nani regressou ao Sporting e já é o novo capitão de uma equipa renovada

Foto Gualter Fatia/Getty

Do meio-campo para a frente, e apesar de ter no plantel vários jogadores com muita qualidade técnica e criatividade, como Nani, Bruno Fernandes e Matheus Pereira, ainda não se sabe bem que tipo de Sporting é que Peseiro irá apresentar.

Se conseguir juntar no 11 inicial jogadores como Wendel e os já referidos Bruno Fernandes, Nani e Matheus Pereira, este será certamente um Sporting, pelo menos do ponto de vista individual, com muita qualidade em termos ofensivos. Se, por sua vez, Peseiro optar por um duplo pivô com Battaglia e Misic, e Acuña num dos corredores, a qualidade do momento ofensivo será menor e o Sporting será uma equipa mais previsível a atacar.

A principal arma em termos ofensivos continuará a ser Bas Dost, que nas duas primeiras épocas ao serviço do Sporting marcou 70 golos em todas as competições.

Sporting de Braga: a confirmação

O Braga de Abel Ferreira procurará confirmar a sua candidatura ao título, depois ter conseguido 75 pontos na época anterior, tendo ficado em 4º lugar a apenas 3 pontos do Sporting CP de Jorge Jesus que terminou em 3º.

Apesar de várias mexidas, principalmente no sector intermédio (saíram Danilo, André Horta, Vukcevic e João Carlos Teixeira, e entraram Palhinha, João Novais, Claudemir e Eduardo) o Braga de Abel continua a ser uma equipa muito bem trabalhada do ponto de vista coletivo, como se pôde ver no último amigável frente ao Newcastle, que os bracarenses venceram por uns expressivos 4-0.

O médio João Novais trocou o Rio Ave pelo Sporting de Braga neste início de época

O médio João Novais trocou o Rio Ave pelo Sporting de Braga neste início de época

Foto Hugo Delgado/Lusa

Uma proposta de jogo de qualidade, sempre com grande preocupação de construir de forma apoiada desde zonas mais recuadas, e com isso chegar a zonas de criação e finalização nas melhores condições possíveis é a imagem do Braga de Abel.

Na frente de ataque, o destaque continuará a ser Paulinho, que através da qualidade técnica com que serve de apoio frontal e da competência que demonstra em zonas de finalização, consegue ser um avançado bastante útil em todos os momentos do jogo.

Vitória Sport Clube: a revelação

Luís Castro orientou o Chaves na época passada e deixou uma marca fortíssima no campeonato, ao nível do futebol praticado

Luís Castro orientou o Chaves na época passada e deixou uma marca fortíssima no campeonato, ao nível do futebol praticado

Foto Octávio Passos/Getty

Depois de uma época muito bem conseguida ao serviço do Chaves, que terminou em 6º lugar, Luís Castro mudou-se para a cidade de Guimarães e com levou com ele a sua ideia de jogo, que está aos poucos a implementar no Vitória. É essa ideia de jogo que criará condições para que o Vitória, 9º classificado em 2017/18, possa ser a principal revelação da época que está prestes a iniciar.

Uma ideia de jogo que assenta, em traços gerais, num futebol apoiado desde zonas mais recuadas, sempre com o objetivo de progredir em direção à baliza adversária com paciência e com qualidade na circulação de bola.

Luís Castro tem ao seu dispor um plantel com várias opções de qualidade e será curioso ver como consegue potenciar jogadores como Osório (central), Pêpê (médio defensivo), João Carlos Teixeira (médio interior) e Ola John (extremo), entre outros.

Um 11 de jogadores da Liga 2018/19 a seguir com atenção (mais três suplentes igualmente interessantes)

Clique AQUI para ver quais os jogadores a seguir atentamente