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Marcel, treinador dos afetos

O Sporting está na final four da Taça da Liga após um triunfo robusto (4-1) diante do Feirense. Depois da derrota com o Guimarães, a equipa de Keizer voltou às goleadas e ao futebol vistoso, sustentado por futebolistas que parecem genuinamente gostar da ideia que o treinador lhes apresentou e que repete publicamente: divirtam-se

Pedro Candeias

Gualter Fatia

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As contas eram três e eram estas: o Sporting tinha de ganhar ao Feirense e mesmo a vitória podia não chegar para chegar à final four da Taça da Liga, porque disso dependia não apenas este jogo no Marcolino de Castro, como também o jogo dos Barreiros, entre o Marítimo e o Estoril. No pior dos cenários para os lisboetas de Alvalade, o Estoril batia o Marítimo, somava também seis pontos e a qualificação definir-se-ia pela diferença entre golos marcados e sofridos. Ao Feirense, bastava empatar.

Por isso, quando Raphinha marcou logo aos 5 minutos, lá foi Bruno Fernandes agarrar-se a ele e aos outros a pedir-lhes para darem corda às chuteiras, que era provável que a coisa fosse decidida no goal average. Acabou por ser Bruno Fernandes a chegar ao 2-0, num chapéu subtil e elegante a Brígido, sendo que antes Bas Dost salvara a face a Salin, e depois Tiago Silva reduziu para 2-1, de penálti.

Como se percebe pelo parágrafo anterior e pelos golos que se seguiriam (todos na segunda-parte), este foi um jogo entretido e intenso, entre equipas que jogam no mesmo campeonato, embora não sejam realmente do mesmo campeonato – ainda que as diferenças se tenham esbatido na primeira-parte.

Nesse período, os jogadores de Nuno Manta tentaram contrariar este novo Sporting, que voltou ao padrão-Keizer após a derrota merecida com o Vitória de Guimarães. Ou seja, pressão alta coletiva, jogo interior, recuperação rápida, velocidade, ataque, mais ataque, e uma alegria que parece genuína e a espaços contagiante. E, claro, golos.

Perante isto, os fogaceiros bateram-se valentemente nos primeiros 45', usando algumas das mesmas armas leoninas, como a pressão e a intensidade, embora de forma individual, e também recorrendo à impetuosidade e intimidação, por Phellipe; ofensivamente, procuravam encontrar espaços para Tiago Silva poder respirar e pensar, o que raramente aconteceu.

Ao intervalo, o número de ataques e as percentagens de posse de bola assemelhavam-se, embora a vantagem do Sporting fosse justa.

Na segunda-parte, o contexto mudou vertiginosamente e a ténue esperança do Feirense num brilharete foi varrida para o cantinho num carrinho de Mathieu que fechou a porta à baliza de Salin. A partir daí, no minuto 55, o Sporting assumiu o controlo e o domínio total do jogo, chegando ao 3-1, num penálti sofrido e convertido por Bas Dost, e ao 4-1, num autogolo infeliz de Luís Machado, após cruzamento de Miguel Luís.

Antes dos 70', a questão da qualificação estava praticamente resolvida a favor do Sporting que ainda assim não descansou; aliás, a goleada só não engordou por mérito de Brígido e inépcia dos avançados leoninos.

Por sua vez, o Feirense, que reagira bem ao 2-0, perdeu simultaneamente a chama e o fôlego no 3-1, e deixou-se enrolar irresistivelmente pela frustração de quem chegou ao jogo a pensar numa final que afinal ficaria pelo caminho.

P.S. Agora, a Taça da Liga segue para a fase protocolar, em que um dos grandes - falta o FC Porto, que joga no domingo - chega ao encontro decisivo para levar o troféu para casa. Uma competição, no mínimo, previsível.