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1-2, 15, 16: o Porto está na final four, bateu um recorde histórico e tem encontro marcado com aquele rival

O FC Porto entrou alheado e adormecido, talvez surpreendido pelo Belenenses SAD de Silas que nada tinha a ganhar - e portanto, pouco a perder. O jogo terminou 1-2, no Jamor, e os portistas estão na final four e vão disputar com o Benfica um lugar na final. Por outro lado, Sérgio Conceição entrou na história: nunca uma equipa do FCP somara 16 triunfos seguidos, uma série que começou logo após a derrota na Luz, para a Liga

Pedro Candeias

Tiquinho Soares marcou o golo decisivo

Gualter Fatia

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As coisas não podem ser mais claras quando um treinador põe três suplentes em aquecimento acelerado aos 10 minutos de um jogo que é para ganhar e que se está a perder desde o 5’: o mister está aborrecido, alguém vai sair e ninguém quer ser o tipo que carrega a cruz a caminho do balneário.

Não aconteceu no instante seguinte, nem no outro depois, porque o FC Porto melhorou até com Tiquinho, André Pereira e Hernâni em correrias fora de campo, ato que os que estavam lá dentro perceberam como uma suave intimidação de Sérgio Conceição. E Conceição resistiu à tentação da dupla substituição quase até ao limite, mas, perante a estranha apatia e desacerto, aos 39’ lá tirou Bruno Costa (a surpresa no onze) e Maxi Pereira, pondo Hernâni e Tiquinho de uma só vez, recuando Corona e conferindo músculo ao 4x4x2.

Nesse momento, convém dizer, o FC Porto estava fora da final four, sem o recorde histórico de vitórias consecutivas no bolso e longe de um sempre apetecível encontro com o Benfica na Taça da Liga. E isto estava a acontecer frente ao Belenenses SAD que não tinha qualquer objetivo a não ser dar minutos aos menos utilizados - Silas fez nove alterações relativamente ao último jogo - e testar novamente um sistema de três centrais, com o trinco Nuno Coelho a fazer de líbero.

Os rapazes de Belém que jogam no Jamor foram surpreendentemente melhores durante alguns períodos da primeira-parte, somando alguns lances de perigo construídos criteriosamente, apesar de todas aquelas mudanças e do alheamento de Dramé, o homem de quem se espera, pelo menos, velocidade. Foram Eduardo, a varrer o meio-campo, e o pé esquerdo do lúcido Ljucic a comandar as operações perante um FC Porto trapalhão e sem resposta à altura. O golo fora de Reinildo, numa bola parada.

Só que o tempo, esse conselheiro, recoseu a história e o FC Porto conseguiu impôr o seu peso à medida que o relógio avançava para o intervalo. O Belenenses encostou-se lá atrás, Corona chutou três vezes à baliza – um tiro à meia volta, incluído – e Marega também tentou a sua sorte. Não deu em golo, mas era provável que o resultado desse uma cambalhota na segunda-parte.

O remate de Herrera à trave ao 46’ foi bastante explícito e, aos 53’, Marega reagiu a um cruzamento pingado de Brahimi na esquerda para fazer o empate. Que na altura chegava, mas podia não chegar, porque bastava o Chaves ganhar ao Varzim (ou vice-versa) para o FC Porto ficar pelo caminho da Taça da Liga.

[A propósito, terminou 3-1, pelo que os flavienses ficaram apenas a um golo de se qualificarem através do goal average. Mas já lá vamos]

O FC Porto precisava, portanto, de carregar sobre o Belenenses e foi o que fez, nem sempre da melhor forma, é verdade, mas já com aquela agressividade. O segundo golo chegou num cabeceamento de Tiquinho após falta lateral batida por Alex-GPS-Telles e, a partir de então, os portistas atropelaram-se ansiosamente em ocasiões perdidas por Brahimi, Tiquinho (três vezes), Hernâni e Adrián, expondo as fragilidades físicas e táticas do remendado Belenenses, mas repescando os reflexos e a elasticidade do guarda-redes Mika.

O enérgico Sérgio Conceição estava à escuta do que se passava em Trás-os-Montes, queria evitar sobressaltos de última hora, e exigia continuadamente o terceiro golo à sua equipa - que nunca apareceu. Mas, pronto, os objetivos foram todos alcançados e, quando assim é, está tudo OK: o Porto está na final four; e o Porto quebrou o recorde de vitórias consecutivas de Artur Jorge (de 15 para 16), uma série que começou após a derrota na Luz com o Benfica, o próximo adversário na meia-final da Taça da Liga. A outra meia-final opõe o Braga ao Sporting e os jogos terão lugar em Braga, a 22 e 23 de janeiro - a final será a 26.