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BF é o BFF de Keizer

O Sporting bateu o Belenenses SAD com alguma dificuldade, sentido-se a falta que Bruno Fernandes faz nesta equipa treinada por Keizer, que pede intensidade e pressão constante e subida no terreno. As duas equipas com alguns princípios de jogo semelhantes - a construção apoiada - criaram várias oportunidades e no final venceu a que beneficiou de um autogolo de Sasso e de um grande golo de Miguel Luís.

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Há decisões aparentemente inócuas, como virar erradamente à direita na rua Francisco José em Sarajevo, que podem resultar em grandes complicações tipo I Grande Guerra, nascida de um atentado falhado à bomba e, depois, de um homicídio à pistola quando o motorista do arquiduque se enganou e deram ambos de caras novamentes com Gavilo Princip.

São pequeníssimas coincidências assim que definem as histórias e não há acasos maiores do que os golos que se sofrem logo após uma substituição da equipa que o sofreu. Porque a relação entre uma e outra coisa é simples de fazer, e mais fácil o é se houver uma mudança tática pelo meio.

Espero não estar a errar por muito nos tempos: Silas tirou o líbero Nuno Coelho e pôs Henrique (53’), alterou o seu 5x3x2 para o 4x3x3 e puxou Fredy do centro do ataque para a esquerda; quatro minutos depois, o mesmo Fredy esqueceu-se de que tinha de acompanhar Bruno Gaspar que chutou a bola contra Sasso e aconteceu o 1-0. Um autogolo, que sacudiu um jogo até então tinha bastante dividido nas oportunidades e nos lances de perigo, apesar da diferença gritante na percentagem de posse de bola, a favor dos leões. Tivesse o Belenenses melhores avançados e estivesse o Sporting a jogar com Bruno Fernandes, é provável que os resultado fosse outro antes do tal minuto da mudança. Talvez mais robusto.

As duas equipas com princípios muito semelhantes - pressão alta, jogo apoiado, construção a partir da defesa - mas com armas obviamente diferentes chegaram durante a primeira parte às balizas contrárias com perigo. As duas bolas nos ferros (uma para cada), as defesas de Renan e de Muriel e a procura das triangulações (no SCP) e do ataque rápido (no Belenenses SAD) refletem um equilíbrio provavelmente surpreendente para quem não viu os últimos encontros da equipa de Belém, perdão, do Jamor.

E é por isso que, depois do golo sofrido, e passado o tempo necessário para os ajustes protocolares ao 4x3x3 [foram três minutos e, novamente, espero não me enganar nos tempos] o Belenenses SAD voltou provocar com perigo: num passe longo de André Santos para Fredy, este cruzou para Licá que rematou frouxo para Renan. Os azuis restabeleceram-se, pressionaram lá em cima, provocaram erros na fase de construção leonina - e acabaram por sofrer o segundo golo, por Miguel Luís, num remate extraordinário.

Em condições normais, isto mataria qualquer jogo, mas ainda havia fogo dentro dos rapazes de Silas que reduziram no minuto 90, por Fredy. E então seguiu-se uma confusão entre o inevitável Acuña, cujas sessões de anger management deixam muito a desejar, e Diogo Viana e aí, sim, o dérbi lisboeta teve a sua morte à portuguesa - dos quatro minutos de desconto jogaram-se sensivelmente dois [e aqui não estarei a errar nos tempos].

Restam duas dúvidas: o que faria Silas com melhores atletas e o que fará Acuña quando apanhar alguém como Marega pela frente. E fica uma certeza: o Sporting com Bruno Fernandes é uma coisa, aliás, uma outra coisa. BF é o BFF de Kaizer.