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De Brahimi, com alguma dor

Num jogo disputado tarde e a más horas, e em que o desgastado Brahimi foi decisivo, o FC Porto bateu o Nacional por 3-1, somou a 18.ª vitória seguida, tem o Braga a seis pontos, o Benfica a sete e o Sporting a oito pontos de distância. Estamos em janeiro

Pedro Candeias

MIGUEL RIOPA

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Da imprevisibilidade do jogo: o guarda-redes Daniel Guimarães sofreu o primeiro golo do jogo aos 31’ (Brahimi), lesionou-se aos 32’ e saiu aos 36’. Para o lugar dele, entrou Lucas França e este levou o segundo dois minutos depois, aos 38’ (Tiquinho Soares), no seu segundo jogo como suplente utilizado; também dois minutinhos volvidos, Bryan Róchez fez o 2-1.

Na segunda-parte, Lucas encaixou o terceiro golo (57’) dois minutos após lesionar involuntariamente o colega Rosíc, que se estreava pelo Nacional por empréstimo do Braga, seis meses depois de uma grave lesão que o deixou prostrado e parado desde agosto.

Ora, com duas substituições forçadas, ambas no mesmo sector, é complicado gerir estrategicamente um jogo diante de um adversário que não é um adversário qualquer, mas o adversário-campeão-nacional. Que tinha 17 vitórias seguidas e procurava a 18.ª, e com um bónus inesperado que é uma espécie de empurrãozinho moral: o Sporting perdera com o Tondela e um triunfo deixaria o FC Porto com seis pontos de vantagem sobre o Braga (2.º classificado), sete sobre o Benfica (3.º) e oito sobre o SCP (4.º).

Em janeiro.

Havia, pois, muitas coisas a favor do FC Porto, provavelmente coisas a mais para serem desperdiçadas diante do Nacional, em casa. E é provável que Sérgio Conceição tenha querido despachar isto logo de início com uma receita das antigas a que convencionalmente chamamos “carne no assador”: músculo de Soares e Marega na frente, criatividade de Brahimi e Corona nas alas, intensidade de Herrera no meio. Quanto mais depressa melhor, como uma blitzkrieg, que as pernas andam naturalmente pesadas e no sábado há clássico em Alvalade.

Só que não foi bem assim que o jogo se dispôs; aliás, não foi nada assim que o jogo se dispôs, porque o Nacional aproveitou a notória falta de nervo do FCP nesta altura do ano e impôs o seu estilo, com defesas subidos e temerários, enfrentando corajosamente a superioridade contrária. Assim, até ao golo de Brahimi, o pequeno geniozinho argelino que desbloqueia o que o cabedal de Marega não consegue, o FC Porto - Nacional foi bastante dividido e com duas oportunidades (uma para cada lado).

Depois disso, seguiu-se uma jogada extraordinária de Corona que, com uma receção tipo-Bergkamp e uma finta desconcertante, cruzou para o cabeceamento vitorioso de Soares; e a seguir, Bryan Rochéz aproveitou um ressalto de uma bola chutada por Palocevic para reduzir os danos até ao intervalo.

Na segunda-parte, aconteceu aquela lesão grave de Rosíc - assistido pelos médicos do FC Porto e do Nacional, e transportado para o hospital sob aplausos no Dragão - e posteriormente o segundo golo de Brahimi, que acabaria substituído, inegavelmente amassado e moído, com a coxa prontamente enfaixada por um iceberg de gelo.

E, praticamente, foi apenas isto.

A partir de então, a qualidade do jogo afundou-se e só um remate à baliza do Nacional, por Fernando (contratado ao Santa Clara em janeiro), sacudiu o entorpecimento da bancada já embalada para o sono dos justos a segundos do final de um jogo disputado a horas más e tardias de uma segunda-feira à noite gelada. Originalidades portuguesas que ninguém explica e muito menos alguém percebe.

Para o fim, estes números: Sérgio Conceição igualou a melhor série de vitórias consecutivas de uma equipa portuguesa. São 18, tantas as que Jesus somou no Benfica de 2010-11. O jogo seguinte é com o Sporting.