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Não há dois jogos iguais, mas lá que parece, parece

Tal como aconteceu terça-feira, para a Taça de Portugal, o Benfica venceu em Guimarães, por 1-0, para a Liga, mas a verdade é que o golo de Seferovic, já aos 81 minutos, não premiou a melhor equipa em campo

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OCTÁVIO PASSOS/LUSA

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Foi Luís Castro quem o disse antes do segundo Vitória de Guimarães-Benfica da semana: "Nada é decalcado. Um jogo é um jogo por si só, não tem nada a ver com o anterior nem com o próximo, mesmo que sejam as mesmas equipas. Isso é que é fantástico no futebol. Vamos tentar que desta vez caia para o nosso lado".

O Vitória bem tentou, mas a verdade é que, parecendo inicialmente que não, o jogo desta sexta-feira, para a 18ª jornada da Liga, acabou por concluir exatamente da forma que o jogo de terça-feira, para os quartos de final da Taça de Portugal, também em Guimarães: 1-0 para o Benfica.

Será sempre relativo falar de (in)justiça no futebol, mas o longo minuto em que Luís Castro se manteve impávido, em frente ao banco, logo após o apito final do árbitro, mostrou que dificilmente o treinador do Vitória esperaria um desfecho tão amargo para um jogo em que a sua equipa teve, mais uma vez (talvez até mais do que na terça-feira), uma exibição muito personalizada - mostrando que não está nada longe das quatro equipas que têm dominado o futebol nacional ultimamente.

Com Castillo na frente de ataque - Seferovic, surpreendentemente, ficou no banco (provavelmente para gestão da fadiga) - junto a João Félix, Pizzi, Gabriel, Samaris e Cervi no meio-campo, Almeida, Conti, Jardel, Grimaldo e Odysseas na defesa, o Benfica teve algumas dificuldades em libertar-se da pressão alta do Vitória e acabou mesmo por ser a equipa da casa e ir pautando os ritmos do jogo.

Mais madura, a equipa de Luís Castro teve mais bola e foi assumindo o domínio do jogo, ainda que os jogadores agora liderados por Bruno Lage tenham estado sempre bem organizados, mas faltaria sempre um pouco mais em termos ofensivos - falta, evidentemente, treinos sob o comando do novo treinador.

OCTÁVIO PASSOS/LUSA

Tanto de um lado do campo como do outro, o perigo surgiu quase sempre da mesma forma: com remates de fora da área, já que ambas as equipas tiveram algumas dificuldades em criar oportunidades claras. Para o Benfica, Félix e Pizzi estiveram perto do golo; para o Vitória, André André e Tozé.

Na 2ª parte, o Vitória chegou a encostar claramente o Benfica à sua área, mas não houve rasgos individuais que permitissem mais oportunidades e o desgaste dos jogadores acabou por ser fatal, essencialmente na pressão aos adversários e nas perdas de bola a meio-campo. Aos 76 minutos, Rafa Soares esteve muito perto do 1-0, mas o golo só surgiria aos 81 minutos, do outro lado do campo. Um grande passe de Gabriel isolou André Almeida pelo corredor direito e o lateral ofereceu o golo, ao segundo poste, ao homem que não tinha começado o jogo, mas que o acabou na perfeição: Seferovic.

Nos últimos minutos, pouco mais se jogou, com o Benfica a resguardar a vitória preciosa e, de certo modo, inesperada, já que o Vitória tinha estado por cima em largos períodos do jogo. Mas, no final, o que conta é mesmo o resultado. E esse foi exatamente o mesmo de terça-feira.