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A gestão do romantismo segundo Marcel Keizer

O Sporting entrou bem frente ao Moreirense e rapidamente se colocou em vantagem, com golos de Nani e Bruno Fernandes, mas depois limitou-se a gerir o resultado, permitindo que os visitantes ainda sonhassem com o empate (2-1)

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O Sporting não sabe defender, o Sporting sofre sempre golos, o Sporting só pensa em atacar, o Sporting é desequilibrado. Nas primeiras semanas de Marcel Keizer em Alvalade, o treinador holandês teve de ouvir muitas destas críticas, mesmo somando uma série impressionante de vitórias e golos marcados.

E foi assim que, chegado o clássico com o FC Porto, o Sporting já nem pareceu bem aquela equipa de Marcel Keizer, apresentando uma série de cautelas defensivas inesperadas.

E foi também assim que, esta noite, em Alvalade, houve um Sporting "ofensivo" na 1ª parte e um Sporting "defensivo" na 2ª parte. As designações vão entre aspas, porque nada no futebol é assim tão linear quanto isso e o Sporting até podia ter aumentado a vantagem na segunda metade do jogo, mas a verdade é que, depois de se ter visto a ganhar, a equipa de Marcel Keizer nunca mais quis grande coisa com o jogo.

Ou, melhor dizendo, quis que o jogo ficasse tal e qual como estava: 2-1, morno e sem grandes acelerações ou oportunidades de golo.

Com o onze esperado em campo - Renan, Ristovski, Coates, Mathieu, Acuña, Bruno Fernandes, Gudelj, Wendel, Diaby, Nani e Bas Dost -, o Sporting entrou a todo o gás e viu-se em vantagem logo aos três minutos, quando Nani correspondeu da melhor forma a um canto batido por Acuña.

A equipa da casa aproveitava então a tranquilidade da vantagem para ir pausando e acelerando o jogo quando queria e, aos 25 minutos, novo golo. Acuña cruzou para o segundo poste, onde Diaby cabeceou para defesa de Jhonatan - com a ajuda da trave -, Ristovski voltou a rematar, para nova defesa de Jhonatan e, por fim, na recarga, Bruno Fernandes conseguiu fazer o 2-0.

Do outro lado do campo, o Moreirense ia tentando assentar no jogo e foi paulatinamente crescendo, muito por culpa de um criativo chamado Chiquinho, que assustou Renan por duas vezes.

Mas o golo só surgiria aos 34 minutos, quando após uma bela jogada de entendimento Chiquinho ofereceu o golo ao irrequieto Heriberto, que também criou muitos problemas à defesa sportinguista. Um pouco antes, na área oposta, tinha aparentemente havido falta - não assinalada - sobre Bas Dost, mas o VAR não interveio, já que a jogada pareceu ter decorrido fora da área dos visitantes.

À entrada para a 2ª parte, esperava-se mais do mesmo jogo que se tinha visto na 1ª parte: dividido, dinâmico e com boas jogadas de ambas as equipas. Contudo, o que se viu foi bem diferente.

Sempre que tinha oportunidade para acelerar, o Sporting pausava, e o Moreirense, mesmo com as mexidas de Ivo Vieira - entraram Bilel e Nenê para os lugares de Arsénio e Pedro Nuno - não conseguiu criar verdadeiras oportunidades de golo na área de Renan, apesar de ir dominando a posse de bola.

Assumindo a abordagem cautelosa, Marcel Keizer tirou Nani de campo aos 68 minutos - para a entrada de Raphinha -, quando Diaby estava bem pior no jogo (e até Bas Dost), pelo que a opção pareceu pura gestão da condição física do capitão do Sporting. Raphinha ainda tentou, individualmente, acelerar o ataque aqui e ali, e acabou mesmo por marcar um golo, mas foi marcado fora de jogo.

No final, com Francisco Geraldes a aquecer, Keizer voltou a optar pela cautela: tirou Wendel e colocou em campo Petrovic, numa altura em que o Sporting já pouco mais fazia além de defender - ainda que o Moreirense não tenha criado verdadeiro perigo, houve sempre a sensação de intranquilidade por parte dos da casa.

Já na flash interview, o homem do jogo, Mathieu, com a habitual lucidez, disse o seguinte: "Na segunda parte não jogámos muito". Pois não. Mas a verdade é que ganharam e continuam a perseguir FC Porto - a oito pontos -, Benfica - a três - e Sporting de Braga - a dois. Agora segue-se a final four da Taça da Liga: quarta-feira, às 19h45, o Sporting defronta o Braga.