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Programas televisivos são os principais culpados do som e da fúria no futebol

Estudo do IPAM revela que os media portugueses não promovem notícias positivas sobre o futebol nacional, sendo os programas de debate os influenciadores de maior ruído. No período em análise, 7 a 13 de janeiro, que teve o seu epicentro no dérbi. Sporting-Benfica, os casos foram residuais, o que explica o tom neutral da maioria dos conteúdos noticiosos (68%), contra 22% negativos e 10% positivos. Na semana em curso, outro galo cantaria

Isabel Paulo

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Um estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) revela, esta quinta-feira, que o tom das notícias veiculadas pelos principais meios de comunicação portugueses “não é positivo” para o futebol nacional e incidem maioritariamente em temas relacionados com a atualidade desportiva. As conclusões do estudo tiveram por amostra o comportamento dos principais media portugueses entre 7 a 13 de janeiro deste ano, período que curiosamente não foi marcado por polémicas associadas ao setor desportivo, em geral, e ao futebol, em particular, e em que apenas ocorreu a competição da Liga NOS.

O produto futebol nos media em Portugal analisou a forma como os principais meios de comunicação nacional acompanham semanalmente a modalidade, em função do tempo mediático dedicado ao futebol nacional em 30 meios de comunicação social, selecionados pela audiência, relevância e alcance com que difundem as principais notícias.

No total, o estudo fez 1.380 análises a conteúdo de títulos, de capas de jornais, de homepages de meios de comunicação digitais e de programas televisivos, concluindo o IPAM que os temas mais abordados foram de atualidade (31%) e de transferências do mercado de janeiro (22%), em comparação com as entrevistas a atletas, dirigentes ou treinadores (19%) ou os destaques mais polémicos (6%).

Na semana em análise pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, os temas da ordem do dia foram a jornada da semana, especialmente o clássico entre o Sporting e o FC Portoo, a dúvida sobre o novo treinador do Benfica após a saída de Rui Vitória e a entrevista de Filipe Vieira ao programa televisivo de Cristina Ferreira.

Ao nível das polémicas, foram repetidamente repescados casos quentes como o processo dos e-mails, e-toupeira, mala ciao ou cashball, Apito Dourado ou a presidência de Bruno de Carvalho. Se esquecer as eternas dúvidas em torno da arbitragem.

O tom adotado pelos media portugueses durante esta cobertura noticiosa, foi, maioritariamente, neutro (68%) mas também negativo (22%). Apenas 10% dos media revelaram ter uma abordagem positiva a notícias dedicadas ao futebol nacional.

Como era previsível, os programas televisivos, exclusivamente dedicados ao futebol, são principais influenciadores do ruído negativo, embora programas como a Grande Área da RTP3 e Aposta Tripla da Sport TV (33%) ,Tempo Extra da SIC Notícias (24%) e Mais Futebol da TVI24 (20%) se destaquem por promover uma abordagem positiva, a par do diário online Observador (20%).

Na análise só das capas, entre 7 e 13 de janeiro, o tom dominante na cobertura dos meios de comunicação social foi maioritariamente neutro (82%), em relação ao negativo (13%) ou ao positivo (apenas 5%). Já os temas em destaque foram para a atualidade (28%), os resultados (26%), as transferências (24%), as entrevistas (17%) e as polémicas (5%).

No mesmo período, a análise à homepage dos meios digitais revelou um tom de 84% neutro, 13% negativo e apenas 3% positivo, sendo que a maioria das notícias em destaque eram de atualidade (33%), resultados e entrevistas (21%), transferências (20%) e polémicas (5%).

No caso da análise ao conteúdo dos programas de televisão, o estudo do IPAM demonstra que, ao longo da semana em observação, o teor das intervenções foi também neutro, com 49%, ou negativo, com 33%. Apenas 18% foi positivo. Os destaques foram dados a temas de transferências (28%), e atualidade (26%), resultados (20%), entrevistas (16%) e polémicas (10%).

As conclusões do estudo “O Produto Futebol nos Media em Portugal” foram obtidas numa semana particularmente calma e que teve por amostra apenas a Liga NOS, garantindo Daniel Sá, diretor Executivo do IPAM e coordenador do trabalho, que se a análise incidisse na semana em curso, marcada pelo alarido na Taça da Liga e pela contestação ao VAR, o resultado seria ainda mais negativo. “Se a apreciação tivesse por amostra uma época inteira, não tenho dúvida que as conclusões da semana em foco pecariam por defeito”, diz Daniel Sá.