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Tudo o que influenciou o dérbi da Liga e o que deverá decidir o dérbi da Taça (a análise tática do Sporting-Benfica)

O analista Tiago Teixeira explica, taticamente falando, o que levou o Benfica a vencer o Sporting em Alvalade (4-2) e pormenoriza o que (não) deverá acontecer no dérbi desta quarta-feira, para a 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal (20h45, RTP1)

Tiago Teixeira (analista de futebol)

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Sporting: O que corrigir para ser mais forte?

Controlo de cruzamentos

Este tem sido uns dos principais problemas defensivos do Sporting de Marcel Keizer. No domingo, em Alvalade, o primeiro golo do Benfica demonstrou isso mesmo: linha defensiva do Sporting totalmente desalinhada e pouca proteção da baliza aquando do cruzamento de Grimaldo.

De outro ângulo, é possível perceber também que a distância (em largura) entre os dois centrais é muito grande, o que acaba por facilitar muito a finalização de Seferovic. André Pinto encontrava-se muito longe do avançado do Benfica, e nem sequer o conseguiu incomodar no momento do cabeceamento.

No jogo de logo à noite, é de prever que a equipa de Bruno Lage volte a procurar tirar partido dessa debilidade defensiva do Sporting, através de combinações nos corredores laterais, para posterior cruzamento para zonas de finalização.

Desarticulação da linha média

Se o Sporting quiser sair da Luz com um bom resultado, é fundamental que não volte a conceder tanto espaço dentro do seu bloco defensivo. Foram vários os momentos em que o mau posicionamento da linha média permitiu ao Benfica chegar com facilidade ao espaço à frente da linha defensiva.

No segundo golo do Benfica, um exemplo disso mesmo.

Os posicionamentos interiores dos extremos benfiquistas e, principalmente, de João Félix, certamente voltarão a ser uma constante no processo ofensivo encarnado, com o Benfica a tentar explorar o espaço que o Sporting possa conceder nessa zona do campo.

Fase de construção

No momento ofensivo, os problemas na fase de construção voltaram a ser bem visíveis e, se se mantiverem na Luz, dificilmente o Sporting chegará muitas vezes com qualidade às zonas de finalização.

A falta de paciência em zonas recuadas e a pouca capacidade para entrar com a bola controlada no bloco do Benfica resultaram em muitos passes longos para a frente, com pouco ou nenhum critério.

Nos momentos em que o Sporting tentou jogar apoiado, nem sempre os posicionamentos foram os mais corretos e, por isso, as dificuldades em dar seguimento aos lances foram enormes.

A excessiva distância entre elementos e a pouca ocupação do espaço entre a linha média e a linha defensiva do Benfica foram alguns dos “pecados” do Sporting no dérbi passado, que em muito contribuíram para uma prestação tão fraca a nível ofensivo.

Benfica: O que evitar para voltar a dominar?

O Benfica - que praticamente não passou por dificuldades nenhumas em organização defensiva no jogo de domingo - terá de reduzir ao máximo as perdas de bola que possam originar transições rápidas do Sporting.

A equipa de Bruno Lage tem de evitar que Samaris receba a bola de costas para os médios do Sporting - que são muito rápidos a pressionar pelo lado cego –, porque será fundamental que o Benfica não perca a bola em zonas comprometedoras.

Se o Benfica condicionar a primeira fase de construção do Sporting, estará certamente muito mais confortável em organização defensiva, uma vez que o Sporting tem demonstrado uma grande incapacidade para sair a jogar quando sofre uma pressão mais alta.

No seu meio-campo defensivo, as marcações individuais dos laterais do Benfica aos extremos do Sporting poderão ser um fator de desequilíbrio defensivo. Apesar do Sporting não ter tirado proveito disso no último jogo, André Almeida apareceu várias vezes no corredor central, atraído por Nani.

Tendo em conta o último jogo e o momento atual das duas equipas, é de esperar um Benfica com mais bola, e a pressionar em zonas mais altas, de modo a condicionar a primeira fase de construção leonina.

O Sporting, por sua vez, deverá posicionar-se num bloco médio, com o objetivo de estar sempre compacto, e esperar pelo momento da recuperação da bola para sair rápido para o ataque.