Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Há cada vez menos portugueses a jogar na Liga NOS. E o menos nacional é o campeão

Há cada vez menos portugueses a jogar na ligas profissionais, avança estudo do Sindicato dos Jogadores. Na primeira volta da Liga NOS, apenas 37% dos jogadores utilizados são nacionais - e o FC Porto é o mais estrangeiro. Na Liga Ledman, ainda predominam os profissionais nados ou feitos cá dentro (51%), mas a tendência está em queda. Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato, balança entre a tolerância e a crítica

Isabel Paulo

Só há um português nesta foto de equipa do FC Porto: Danilo

NurPhoto

Partilhar

Um estudo do Sindicato de Jogadores, relativo à primeira volta da época 2018/19, volta a apontar para um decréscimo do número de jogadores selecionáveis a atuar nas ligas profissionais portuguesas. A tendência acentua-se pelo terceiro ano consecutivo, numa relação cada vez mais distante de 157 estrangeiros (67%) para 93 portugueses (37%) a jogarem na Liga NOS, o equivalente a uma subida de 6% de jogadores estrangeiros, em comparação com o período homólogo da temporada transata.

A equipa campeã nacional, o FC Porto, é a que apresenta um maior contingente de jogadores além-fronteiras - média de 12 estrangeiros por jogo e dois portugueses -, enquanto o Vitória de Setúbal é quem mais aposta na prata da casa - nove nacionais/cinco estrangeiros. No pódio das equipas mais nacionais, seguem-se o Tondela e Sporting de Braga, com uma média de oito portugueses para seis estrangeiros. No Boavista e no Feirense o cenário é de paridade.

SJindicato dos Jogadores

O presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, encara os resultados da Liga NOS em matéria de nacionalidades com alguma tolerância, em nome da competitividade: “Relativamente à Liga NOS, não temos uma visão alarmista do modelo de negócio, que significa também a subsistência e o reforço das equipas participantes”, defende, sublinhando que se trata da “da competição profissional por excelência, aquela onde verdadeiramente é necessário priorizar os resultados e garantir competitividade no plano interno e internacional”.

Penafiel e Mafra, os bastiões lusos

Já em relação à Ledman LigaPRO (2ª Liga portuguesa), o líder sindical não poupa nas críticas, quando confrontado com o crescente contingente de estrangeiros (49%), face ao contingente paulatinamente minguante de jogadores nascidos no país - 128 utilizados na primeira parte da época em curso contra 123 estrangeiros, o que representa um aumento de 2% de atletas vindos de fora. “Subverteu-se aquele que devia ser um patamar intermédio, em que os maiores talentos do futebol português pudessem ter espaço competitivo de modo a estarem preparados para ingressar no principal escalão”, critica Joaquim Evangelista.

Nesta divisão, a equipa mais portuguesa do país foi a do Penafiel (média por jornada de 13 portugueses para um estrangeiro), seguindo-se a do Mafra (11 portugueses/três estrangeiros). A predominância de jogadores nacionais é ainda clara no Benfica e na Académica (9/5), enquanto os plantéis do Académico de Viseu, Famalicão e Paços de Ferreira destacam-se pela posição dominante de jogadores de outras nacionalidades.

Na 1ª Liga, a maioria dos jogadores em campo têm idades compreendidas entre os 24 e os 28 anos (52%), sendo apenas 25% os utilizados com menos de de 23 anos. Na 2ª Liga, a aposta da juventude é incontornável: 45% dos jogadores utilizados na primeira volta têm menos de 23 anos, sendo os veteranos de mais de 29 os que menos jogam (taxa média por jogo de 21%).

Na análise aos resultados do estudo divulgado esta quinta-feira, Joaquim Evangelista refere que a prova de sub-23 criada pela FPF é uma oportunidade para os jovens jogadores portugueses, não só pela “necessidade de combater o abandono precoce de muitos jovens com potencial, por falta de oportunidades de profissionalização na II Liga, como por permitir um espaço competitivo que os valorize e mantenha a expetativa de poderem evoluir e chegar às competições profissionais”.

Leia o estudo apresentado pelo Sindicato: