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No Marega, no party

O FC Porto sofreu a bom sofrer para conseguir marcar um golo em Moreira de Cónegos e, já perto do final, acabou mesmo por ver o 5º classificado da Liga marcar... mas ainda conseguiu empatar, já nos descontos (1-1). Está relançada a Liga, ainda que os portistas mantenham a liderança da prova, independentemente do que fizer o Benfica no domingo

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MIGUEL RIOPA

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Quem diria que a força bruta de Moussa Marega iria fazer assim tanta falta ao FC Porto? Bom, primeiro, os números: com 16 golos em 31 jogos esta época, o avançado do Mali é o melhor marcador da equipa, o que já diz muito sobre a sua influência na manobra ofensiva portista.

Depois, Sérgio Conceição, que resumiu assim a ausência de um dos jogadores mais preponderantes do campeão:

"É difícil substituir o Marega, é um grande jogador [...] A equipa é que tem de colmatar a ausência de um jogador tão importante como o Marega na nossa manobra ofensiva. Mas não é só ofensiva, também é defensiva. Ele tem essa capacidade, é talvez o jogador mais forte nas transições que eu treinei. Por isso, é difícil nesse sentido. Temos de arranjar soluções dentro da equipa. Passa sempre pelo trabalho coletivo."

Para colmatar a ausência de um peso pesado, a solução de Sérgio Conceição foi mudar a abordagem ao jogo: o FC Porto abandonou o 4-4-2 e voltou ao 4-3-3, com Danilo a entrar para o onze e a dividir o meio-campo com Óliver e Herrera, ficando na frente Brahimi, Soares e Corona - e, mais atrás, os agora habituais Telles, Pepe, Felipe e Militão.

Na sequência daquilo que tem sido o campeonato que está a fazer, o Moreirense de Ivo Vieira entrou em campo com grande competência no momento defensivo, fechando os (poucos) espaços existentes em Moreira de Cónegos num 4-4-2, com Chiquinho e Texeira (hoje titular pela primeira vez) na frente, e desdobrando-se muito bem no ataque, sempre com critério e paciência, através da largura concedida por Arsénio na direita e, especialmente, por Heriberto na esquerda.

Foi precisamente por ali, pela esquerda, ou, melhor dizendo, pela direita portista, que surgiu a grande oportunidade de golo da equipa de Ivo Vieira na 1ª parte, com Heriberto a aproveitar o desposicionamento de Militão (mais uma vez, vale a pena questionar o rendimento de Militão à direita - vai cumprindo, mas não tem o nível que tinha como central) para ficar frente a frente com Iker Casillas, mas o guardião portista saiu bem da baliza e evitou o golo.

O FC Porto ia tendo mais bola do que o Moreirense, mas tinha dificuldades em chegar a zonas de criação: Danilo não é jogador de pautar o jogo com espaços tão reduzidos e tanto Óliver como Herrera tinham de baixar, à vez, para junto dos centrais para iniciar convenientemente a construção, mas faltava ser bem-sucedido no ataque à profundidade que é tão habitual quando os portistas jogam com dois avançados na frente.

Mesmo rondando a área oposta, o campeão não conseguia criar grandes oportunidades de golo, com um exceção para um lance confuso em que Soares quase marca de calcanhar, mas Jhonatan - grande exibição - impediu o golo.

Logo no início da 2ª parte, Sérgio Conceição passou ao plano B que costuma ser o plano A: saíram Pepe e Óliver e entraram Otávio e Fernando, para o 4-4-2. Só que o Moreirense mostrou por que razão está em 5º lugar, jogando com coragem e personalidade, e criando bem mais perigo do que os portistas.

Sérgio Conceição voltou a responder com mais gente na frente, tirando Brahimi e pondo em campo André Pereira, e o jovem até marcou numa bola parada - mas o golo foi invalidado por fora de jogo. Do outro lado do campo, foi também uma bola parada a dar golo: na sequência de um canto, Halliche envia a bola à trave e, na recarga, Texeira faz o 1-0.

Com 10 minutos para jogar, o FC Porto foi atrás do prejuízo e conseguiu mesmo empatar, por intermédio de Herrera, na área, após um belo lançamento de Otávio, já nos descontos. E, no último lance do jogo, Fernando teve a vitória nos pés - mas Jhonatan salvou o empate com as mãos.

Em dois jogos, o líder soma apenas dois pontos, mas, ainda assim, mantém a liderança da Liga, uma vez que segue com mais quatro pontos do que o Benfica, 2º classificado, que joga no domingo.